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    Economia

    Mercado se ajusta ao novo cenário econômico

    adminBy admin17 de janeiro de 2016Nenhum comentário8 Mins Read
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    Arroio do Meio – Depois de um ano difícil em termos econômicos, os gaúchos iniciaram 2016 tendo de arcar com um custo de vida ainda mais alto. O aumento nas alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, entrou em vigor no dia 1º e encareceu uma série de produtos e serviços. A medida foi aprovada pela Assembleia Legislativa em setembro do ano passado e visa aumentar a arrecadação do Estado, na tentativa de contornar a grave crise financeira enfrentada pelo Rio Grande do Sul.

    Quem abasteceu nos primeiros dias de janeiro levou um susto. A gasolina comum, que até então custava, em média, R$ 3,65 pulou para R$ 3,99, ou mais, dependendo do posto. A alta é uma das mais sentidas no dia a dia de quem possui veículo e tem visto, nos últimos tempos, o preço mudar para cima com frequência. O aumento é fruto do novo percentual do ICMS. Até 31 de dezembro o ICMS cobrado sobre a gasolina era 25%. Em 1º de janeiro passou a ser 30%.

    A nova alíquota, de 30%, também vale para álcool hidratado, telefonia fixa e móvel e energia elétrica comercial e a residencial acima de 50 kW, conforme tabela abaixo. Por conta dessa mudança no ICMS, a conta de energia elétrica deve ficar mais cara, aumentando ainda mais o custo do serviço, que em 2015 acumulou alta de 50%.

    Incremento na receita do Estado e municípios

    A secretaria da Fazenda projeta um incremento na receita líquida para o Estado de R$ 1,896 bilhão/ano. Já para os municípios, o crescimento nos repasses é estimado em R$ 764 milhões/ano.

    No dia 1º também entrou em vigor a incidência do ICMS prevista pela criação do Fundo de Proteção e Amparo Social do Estado do Rio Grande do Sul – Ampara/RS, que prevê aplicação de recursos em ações de nutrição, habitação, educação, saúde, segurança e reforço da renda familiar para atender as camadas mais necessitadas da população.

    A partir da criação de adicional de dois pontos percentuais na alíquota interna do ICMS para operações com bebidas alcoólicas e cerveja sem álcool, cigarro, cigarrilhas, fumos, perfumaria e cosmético, e na prestação de serviço de TV por assinatura, a projeção é arrecadar R$ 211,9 milhões/ano para financiar as ações do Ampara/RS.

    Para o governo do Estado, além de equiparar o Rio Grande do Sul aos principais estados do país, a proposta do novo ICMS preserva uma série de benefícios ao consumidor final e à competitividade das nossas empresas. Não houve mudanças na incidência do imposto, por exemplo, sobre o custo da energia elétrica para residências com consumo mensal de até 50 kw ou para as propriedades rurais. Da mesma forma, as novas alíquotas não terão reflexos na cesta básica de alimentos, pois o governo manterá a política de desoneração tributária.

    Outro produto com forte impacto no custo de vida do cidadão que seguirá sem mudança de ICMS é o óleo diesel. Qualquer aumento de imposto no combustível utilizado em larga escala por caminhões, máquinas agrícolas e ônibus teria reflexo direto no custo do frete e no preço da passagem do transporte coletivo. O gás de cozinha igualmente não sofrerá alterações de ICMS.

    Perfil do consumidor está mudando

    Apesar da mudança no ICMS não incidir diretamente sobre produtos da cesta básica, os supermercados já percebem mudanças nos hábitos de consumo, principalmente em função do aumento no custo dos produtos. Os alimentos tiveram reajustes consideráveis em 2015, em função de ajustes econômicos e das condições climáticas que não permitiram boa safra, especialmente dos hortifrutrigranjeiros. Com todos os aumentos, o consumidor se viu obrigado a fazer trocas por produtos similares ou mais baratos.

    A compradora das unidades Dália Supermercados de Encantado e Arroio do Meio, Alamir Longo, disse na terça-feira que os fornecedores ainda estavam se ajustando em relação ao ICMS mais alto. A principal alta se deu na cadeia das bebidas, com 6% de aumento. Experiente na função, afirma que é preciso negociar, porque em alguns itens o aumento não poderá ser repassado na totalidade ao cliente final. Terá de ser absorvido pelo fornecedor e comprador.

    Em compensação, outros produtos tiveram queda por causa da diminuição da tabela da substituição tributária. Alamir diz que já se visualizam mudanças no perfil do consumidor. O mesmo consumidor está optando por um produto mais em conta. Como exemplo cita o arroz, cuja categoria de custo intermediário e que não tinha tanta saída, começou a ser mais vendida do que a categoria mais cara, que em outras épocas era a primeira opção de determinada faixa de clientes. “Também se percebe que as pessoas estão indo ao mercado com as listas, comprando o necessário. Os itens comprados por impulso e de bazar estão ficando um pouco para trás. O consumidor está repensando os hábitos de consumo”, afirma.

    Distribuidores de bebidas perdem margem de lucro

    O diretor da Cervale, Roberto Kremer, explica que as distribuidoras de bebidas não vão conseguir repassar os reajustes na totalidade porque o mercado não absorve a alta. Só os combustíveis representam uma alta de 3% no custo de distribuição. Porém, ao mesmo tempo, poucas indústrias realizaram aumentos significativos, considerando que o último reajuste ocorreu em outubro, antes do verão. Além disso, correm o risco de perder mercado para marcas alternativas. “Neste segmento, os reajustes dependem da concorrência. Uma indústria espera a outra”, revela.

    Transportadoras absorvem reajustes no combustível

    De acordo com o presidente da Cooperativa de Transportes do Vale do Taquari, Adelar Steffler, o reajuste no preço do diesel não é exclusivo do RS, e num primeiro instante os frotistas terão que absorver a alta. “Já estamos concluindo o mapeamento dos novos valores dos combustíveis de todas as regiões do país, mas será difícil repassar o reajuste durante a entressafra. A demanda pelo transporte deverá voltar a crescer em março, o que facilitará a renegociação de preços dos serviços”, comenta.

    Inadimplência preocupa setor varejista

    A mudança no perfil do consumir também é uma das preocupações da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV). Com a recessão da economia, o setor varejista é um dos mais prejudicados, tendo de arcar com a falta de clientes e a alta da inadimplência. Em entrevista, o vice-presidente da AGV e vice-presidente da área de Capacitação da CDL de Lajeado, o empresário Ricardo Luís Diedrich, fala sobre o cenário atual no setor varejista e afirma que o Brasil vive um momento sensível política e economicamente.

    AT – Em 2015 a inflação ficou acima de 10%. Qual é o impacto desta alta no varejo? Há queda no consumo?

    Ricardo Luís Diedrich – A AGV fez um balanço que apontou que fechamos o ano com vendas negativas. No Natal, por exemplo, tivemos o pior volume de negócios desde o ano de 2001. Os negócios registraram uma queda de 10,2% na comparação com igual período do ano de 2014. Não temos dúvidas que a inflação afeta muito o consumidor, pois retira dinheiro que poderia ser usado para as compras.

    AT – No varejo, quais são os setores mais prejudicados pela recessão econômica brasileira?

    Ricardo – Os setores mais afetados são eletrodomésticos, eletrônicos, automóveis e móveis.

    AT- Pelo levantamento da AGV, percebe-se que a região 2, que inclui o Vale do Taquari, é a que tem menor inadimplência. Apesar de ser a menor, o índice vem subindo nos últimos meses. Como a inadimplência afeta o setor varejista e quais os mecanismos para contê-la?

    Ricardo – As causas do aumento da inadimplência decorrem, evidentemente, da queda na atividade econômica em geral, da queda no nível de emprego e de reajustes salariais. O consumidor começa a atrasar pagamentos porque se desempregou ou não se planejou corretamente.

    O Brasil vive um momento sensível política e economicamente, e temos a inadimplência que avança, trazendo preocupações para o setor do varejo. Quando o cliente está inadimplente, está fora do centro de compras. Também é muito importante para o consumidor procurar negociar suas dívidas com as lojas, para manter seu crédito.

    AT – Na sua opinião, quais são as alternativas para se driblar a crise e retomar o consumo?

    Ricardo – Bom, nestes momentos que se diferenciam os empresários. É o momento propício para ser inovador, seguir o planejamento adequadamente e corretamente realizado anteriormente, repensar os investimentos, ser prevenido, mas não retraído. Além disso, criar a cultura do ótimo atendimento sempre, que fatalmente faz a diferença a seu favor.

    AT – A AGV é uma das parceiras na campanha #Reage RS – Não de voz e vez ao medo. Qual é o objetivo desta campanha?

    Ricardo – Trata-se de uma ampla campanha que tem o objetivo de encontrar soluções para que a população reaja ao momento atual do Estado e buscar assim conscientizar as pessoas a não darem voz e vez ao medo, por isso nasceu a Campanha Reage RS.

    A população precisa voltar à normalidade, quebrar o gatilho da insegurança, pois o medo paralisa, retrai o consumo e gera desemprego. A campanha não é só para aumentar o consumo, mas para que as pessoas voltem a frequentar os ambientes e ocuparem os espaços onde sempre esteve e gosta de estar, reduzindo esta percepção de receio.

    Arroio do Meio
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