Arroio do Meio – Está agendada para a próxima quinta-feira (25) no Ministério Público uma audiência com os responsáveis por uma empresa recicladora de pneus situada na Barra do Forqueta. O promotor Paulo Estevam Araújo cobrará a regularização do empreendimento por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Caso contrário, o local será interditado.
A empresa, que funciona há mais de 25 anos no município, nunca teria recebido licença ambiental para a operação. Em fevereiro de 2015 recebeu uma notificação do Departamento do Meio Ambiente do município, cobrando a destinação ambientalmente correta dos resíduos de pneus. “Após o prazo de 60 dias, constatamos que nada foi feito. E em outubro fizemos nova vistoria, e percebemos que poucos pneus foram retirados”, comenta o coordenador do Departamento, Paulo Henrique Rubim Barbosa.
No fim de novembro o setor encaminhou um ofício de descumprimento da notificação ao Ministério Público, que instaurou inquérito civil para apurar os fatos.
Falhas na coleta reversa da indústria
Um dos responsáveis pela recicladora, Cleiton Dutra, 28 anos, diz que ainda aguarda a notificação. “Ficamos sabendo pela TV”, brincou. A empresa fabrica pregos de borracha para telhas com a banda lateral de pneus usados. Segundo Dutra, no passado até as prefeituras encaminhavam pneus para reciclagem. Os principais fornecedores são borracheiros. “São pneus que estariam atirados na beira de rodovias”, complementa.
O acúmulo ocorreu, porque a indústria de reciclagem, situada em Canoas, não está mais coletando as bandas de rodagem de pneus no interior do Estado, em decorrência do excesso de oferta na Região Metropolitana. “Com isso, há cerca de seis meses, paramos de aceitar pneus inteiros. A presença de espias impossibilita o beneficiamento total. Só compramos os retalhos da banda lateral. Nosso custo de produção elevou em até 60%”, detalha.
A recicladora está negociando a retirada das bandas de rodagem remanescentes com uma indústria de reciclagem de São Paulo.
Sem focos de Aedes aegypti
Durante a vistoria em 2015 o agente epidemiológico da prefeitura coletou quatro amostras que foram encaminhadas para análise. No resultado, não foi constatada a presença do Aedes aegypti– mosquito transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya. No início deste ano, outras coletas foram realizadas e encaminhadas para exame laboratorial.
O responsável pela empresa afirma que os pneus são descartados sem a banda lateral, o que impossibilita o acúmulo d’água. Mas reconhece que o ambiente escuro, o calor e a umidade, propiciam a presença de mosquitos. No entanto, em contraponto, revela que nas imediações da propriedade existe um banhado que contém água parada.


