Arroio do Meio – Neste ano a Páscoa será mais amarga para parte da população brasileira. O motivo é o preço do chocolate, produto símbolo da Páscoa, que está em média 15% mais caro, segundo pesquisa da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas).
Para driblar a crise e aumentar as vendas, as indústrias apostam em ovos menores em relação ao ano anterior. Outras investem em chocolates em formatos variados e até apelam para um brinde além do ovo. Com os preços em alta e o poder aquisitivo em baixa, o consumidor ainda analisa o que vai adquirir, já que a diferença entre barras, bombons e ovos é considerável. As compras, de fato, devem se consolidar somente na semana que vem.
Nos maiores supermercados do município a procura por chocolate ainda é pequena. As compras devem ficar mesmo para a próxima semana que antecede a Páscoa. Um exemplo disso é a moradora do bairro Rui Barbosa, Lisandra Prediger. Ela não fez a projeção de quanto irá gastar neste ano, entretanto percebeu que os preços subiram em relação ao ano passado. Por isso, pretende primeiramente sentar e conversar com o marido para só depois ir às compras. Ela prefere os ovos aos chocolates em barra ou a quilo, pois estes representam a simbologia da data. Para o filho ela pretende fazer um ninho com chocolates variados e para os dois afilhados comprará somente ovos. “Eles preferem e pedem ovos”, observa.
Noeli Becker, de Forquetinha, foi convidada pela expositora para conhecer seu estande com ovos de tamanhos variados e as novidades para este ano. Porém, recusou o convite. Como a maioria dos consumidores, ela pretende fazer as compras somente dias antes da Páscoa. A opção é pelos ovos de chocolate, dizendo que estes são o símbolo da Páscoa. “Lá em casa os ovos são insubstituíveis. Compro para minhas três crianças, minhas filhas de 20, 27 e 31 anos. Há 30 anos compro o mesmo ovo, da mesma marca e o mesmo tamanho”, brinca.
Diferença de preço
Levar o símbolo comercial da Páscoa para casa pode custar caro. Uma das queixas comuns dos consumidores é a disparidade dos preços do chocolate transformado em ovo, com o chocolate em barras ou bombons. Um ovo de 743 gramas de marca consagrada é comercializado na faixa dos R$ 57, enquanto um quilo de bombons da mesma fabricante custa em torno de R$ 40.
Diante desta realidade, resta ao consumidor pesquisar e fazer opções, conforme seu alcance financeiro. Além das caixas de bombons e das barras, uma opção são os ovos artesanais, que podem sair bem mais em conta. A empresária Bernardete Both se antecipou e adquiriu o chocolate antes do aumento de 20%, o que, junto com a margem de lucro menor, permite oferecer ovos com maior gramatura e a um preço mais atraente.
Um levantamento feito pela Associação Gaúcha de Supermercados aponta que, pela primeira vez em 12 anos, os supermercadistas gaúchos preveem uma queda na venda nominal de ovos de chocolate para a data, na casa dos 7,1%. Por outro lado, os empresários do segmento projetam um crescimento de 8,3% na comercialização de caixas de bombons, e de 12,1% na de chocolates em barra e em tabletes.
Preços
Puxados pela alta do dólar, que impacta diretamente no açúcar e no cacau, matérias-primas do chocolate, encarecem os ovos de Páscoa que estão em média 16,2% mais caros se comparados com 2015. Nos bombons (+15,6%) e chocolates em barra (+13,9%), o impacto da inflação será menor.
A páscoa na economia
A representatividade da Páscoa, conforme supermercadistas ouvidos pela Agas, o peso das vendas de produtos típicos de Páscoa no faturamento dos supermercados gaúchos será de 12% no total do mês de março. Os gaúchos deverão absorver 12% dos ovos de chocolate produzidos em todo o Brasil.
Pescados
Além da tradicional procura por chocolates, outros itens ganham evidência nos carrinhos de compras dos consumidores às vésperas da Páscoa. Um dos destaques será a venda de pescados, com previsão de crescimento de 11,5%. “Serão comercializadas cerca de 520 toneladas de diversos tipos de pescados para as comemorações da Sexta-Feira Santa. Devido às dificuldades de fornecimento de peixe fresco, 95% dos pescados vendidos serão congelados”, destaca o presidente da Agas, Antônio César Longo. Segundo ele, a procura por peixes chega a triplicar em relação aos demais meses do ano, durante a Semana Santa.


