Arroio do Meio – Com produtos de limpeza doados pela Girando Sol, refrigerantes da Fruki e cestas natalinas doadas pela Mitra Diocesana de Santa Cruz do Sul, voluntários percorreram residências na tarde de domingo, dia 20, para entregar os kits. Os donativos foram direcionados a imigrantes haitianos que vivem no município e se encontram em situação precária, alguns sem emprego há mais de um ano. Ao embalar dos sinos, Papai Noel, Mamãe Noel e demais integrantes, cantavam canções natalinas ao fim de cada doação.
Feijão, arroz, leite e óleo faziam parte dos mantimentos. Já as cestas natalinas, estavam recheadas com guloseimas entre panetones, chocolates, doces e refrigerantes. “Eles têm que comer coisa boa. Se privam o ano todo. Não conhecem panetone e adoram refrigerantes”, disse Denise Scheid Huppes, professora aposentada que voluntariamente ministra aulas de português aos imigrantes e responsável pela ação.
As reações foram as mais variadas. Logo na primeira casa onde vivem cinco imigrantes, o grupo foi recepcionado por Charlot que se emocionou ao avistar Papai Noel e demais integrantes chegando com as doações. O jovem parecia não acreditar no que estava vendo. Na segunda casa visitada, vivem dois imigrantes. Machenson, que está desempregado atualmente, veio para o Brasil há aproximadamente três anos. Já a prima Cassandra Jean, chegou há apenas dois meses e diz que está gostando de viver aqui. No Haiti, ela frequentou um ano o curso de Enfermagem. Agora pretende continuar os estudos na Univates. Tímido, porém falando bem o português Machenson agradeceu o grupo pelas doações.
Em outra residência, Santo Celestin de 21 anos foi surpreendido pelo soar dos sinos. Desempregado desde que chegou, há oito meses, ele é um dos alunos que frequentam as aulas ministradas por Denise e um dos responsáveis pela abertura das turmas. “Procurei saber sobre eles, depois que ele e dois colegas foram até o AT, pensando que lá era uma escola. Depois disso, organizei a primeira turma e comecei a dar aulas”, conta Denise.
O empenho do jovem é evidente. Nem o domingo ensolarado o fez largar os livros. Com orgulho, ele mostrava a todos o material didático adquirido nas aulas. “Fiquei para estudar”, comentou.
Natal no Haiti
Diego Larose de 23 anos mora em Arroio do Meio faz dois anos. Segundo ele, no Haiti sua família passava a semana do Natal e Ano Novo orando. Integrante da Igreja Assembleia de Deus, ele fala que o tempo era destinado a debates enfatizando a bíblia. Quando perguntado sobre o Brasil, diz que prefere o Haiti, pois tem saudades de sua família. No entanto, lembra que um irmão está por chegar.
Um pouco diferente era a virada de ano de Duckenson de 28 anos, que mora em Arroio do Meio com dois irmãos. Ele explica que os dias 24 e 25 são marcados pelas comemorações natalinas. “Tomamos cervejas e comemos carne de frango e porco”, pronunciou com dificuldade.

