Arroio do Meio – Após sucessivos reajustes tarifários durante o ano passado e do aumento do ICMS de 25% para 30% para clientes residenciais e comerciais a partir de 1º de janeiro, a conta de luz tem sido uma das principais reclamações de famílias e empresas.
Para grande parte dos estabelecimentos o valor cobrado pelas concessionárias praticamente dobrou, também em decorrência do aumento de consumo gerado pelo maior uso de ar condicionado no verão. A principal queixa é o monopólio do setor e impossibilidade de mudança de companhia de energia.
Solução – Uma das alternativas mais interessantes para a realidade climática brasileira continua sendo a energia solar. O investimento é considerado um dos mais viáveis e se paga em menos de cinco anos.
Os proprietários da Energia Própria, Isaac Kremer e Guederson Maciel, admitem que o câmbio desfavorável elevou o custo da tecnologia em 15%. Mesmo assim a procura aumentou 10 vezes, e os projetos executados dobraram em comparação com o mesmo período de 2015.
Há kits à venda a partir de R$ 13.456,00, com inversor de 1,5 kilo watts de potência (kWp) e seis painéis que geram em média 186 kilo watts por hora (kWh) durante um mês. Os projetos consistem na instalação de painéis fotovoltaicos (constituídos com vidro temperado, silício, aço inoxidável e isolante térmico), que captam a energia solar e a transformam em energia elétrica; e inversores que transformam a corrente contínua (CC) em corrente alternada (CA); e relógios bidirecionais conectados à rede elétrica.
Ainda existe a opção da instalação de uma bateria estacionária para reserva de energia por pelo menos duas horas ou mais, garantindo o funcionamento da iluminação, televisão led, internet e geladeira.
“O consumidor não precisa se preocupar em poupar. A energia gerada pelos painéis é consumida durante o dia e o excedente vira crédito. E quando não há energia solar, durante a noite, por exemplo, aproveita-se os créditos em kW gerados durante o dia. Eles podem ser usados em até 36 meses e/ou direcionado para outro imóvel, conforme resolução Nº 482 da Aneel.
Isaac e Guederson revelam que a maioria dos clientes é da classe trabalhadora, que se preocupa com as contas e sabe que o dinheiro aplicado na poupança ou mal investido em bens de consumo vai render menos. Os projetos são elaborados de acordo com a demanda das residências ou estabelecimentos comerciais.
“Em menos de quatro anos de empresa, já instalamos mais de 90 sistemas. A garantia dos painéis é de 25 anos com até 80% da eficiência, e dos inversores de cinco anos. Nunca tivemos problemas com danos relacionados à temporais de granizo”, revelam.
Conforme eles, os painéis precisam ser lavados a cada ano, ou a cada seis meses.
Fim da bitributação
No início do ano a Secretaria Estadual de Minas e Energia anunciou medidas de incentivo a projetos residenciais e comerciais de micro e minigeração de energias renováveis. O Estado isentará o ICMS sobre a energia produzida pelos sistemas com potência entre 100 kW e 1 MW. O tributo incidirá apenas sobre o que foi consumido por meio da rede pública. Em termos práticos, a pessoa que produzir 250 kWh e consumir 300 kWh pagará ICMS sobre os 50 kWh provenientes da rede. Até então o imposto incidia sobre os 300 kWh consumidos, independente da fonte pelo qual é obtido.
Nicho de mercado
O Brasil continua exportando minérios como aço e silício para serem industrializados na China, Europa e EUA e depois adquire a tecnologia pronta. Se existisse uma empresa local, ou nacional que produzisse painéis fotovoltaicos o Brasil não seria tão atingido pela balança comercial.
Dentro das expectativas
O bancário aposentado e corretor de seguros Normélio Bento Castoldi, morador do bairro Americano em Lajeado, instalou um kit com 16 painéis fotovoltaicos em outubro. O projeto foi elaborado para a geração de 1 kw por placa durante o dia, totalizando uma média de 16 kw. Ainda não é possível se fazer uma comparação estatística da autossuficiência do sistema, créditos gerados e o consumo nas quatro estações do ano. Mas nas semanas ensolaradas do início de janeiro chegaram a ser gerados 26 kWh por dia. Em dias nublados 8 kWh e de chuva 5 kWh. “Resolvi investir nessa tecnologia, porque aplicação nenhuma dá esse retorno. E além da sustentabilidade, valoriza o imóvel. Em média eu pagava uma conta de R$ 400. Em janeiro paguei somente a tarifa mínima de R$ 80”, repercute.


