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    Saúde

    Automutilação na adolescência é tema de capacitação

    adminBy admin7 de outubro de 2016Nenhum comentário5 Mins Read
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    Arroio do Meio – Numa promoção conjunta da Secretaria Municipal de Educação, direção do Hospital São José (HSJ) e equipe interdisciplinar da Saúde Mental e alusiva ao Setembro Amarelo, foi realizada na quinta-feira (29) à noite, a capacitação intitulada: Automutilação na adolescência, precisamos falar sobre isso. A palestra, realizada da secretaria de Educação, foi proferida pela médica psiquiatra com especialização na área de infância e adolescência e que atua junto ao ambulatório de psiquiatria do HSJ, Maria Rosa Kramer Iorra Camargo. Tinha como público alvo funcionários do HSJ, professores das três redes de ensino, equipes diretivas e demais profissionais que atuam com crianças e adolescentes.

    Na palestra, a médica enfatizou a importância de pais e professores estarem atentos ao comportamento de crianças e adolescentes para que possam ofertar ajuda quando perceberem qualquer sinal de sofrimento psíquico ou mental. Salientou que o indivíduo que se automutila busca um alívio para seu sofrimento e pode fazê-lo mais de 50 vezes até que alguém perceba as lesões. Pernas, punhos e abdome são as áreas do corpo mais atingidas, justamente porque ficam mais escondidas.

    AT – O que é considerado automutilação e por que é mais frequente em adolescentes?

    Dra. Maria Rosa Kramer Iorra Camargo – A automutilação é qualquer comportamento que envolva agressões diretas ao corpo de forma intencional, mas sem intenção suicida consciente. É mais frequente na adolescência, pois o indivíduo, nesta fase, se encontra com maior dificuldade de lidar com o que sente e usa mecanismos menos eficientes para manejar situações adversas.

    AT – Como as famílias, os amigos e os professores podem ajudar uma criança ou adolescente em sofrimento?

    Dra. Maria Rosa – A melhor maneira de ajudar é estar sempre atentos a eles. Ao reconhecer que existe uma situação de provável sofrimento ou risco, oferecer ajuda para que busque uma avaliação médica adequada.

    AT – Como identificar se esse sofrimento é algo natural da adolescência e vai passar, ou se é patológico e precisa de acompanhamento médico e/ou psicológico?

    Dra. Maria Rosa – Como este é um período de muitas transformações, os adolescentes podem apresentar alterações de humor e de comportamento sem que isto represente algo patológico. Preocupa-nos quando estas alterações são persistentes e associadas a outras evidências de transtornos como brusca queda no rendimento escolar, dificuldades nos relacionamentos interpessoais, diminuição de interesse em atividades que antes eram prazerosas, agressividade intensa, exposição a situações de risco, experimentação de substâncias psicoativas, entre outras.

    AT – Do ponto de vista médico, no sentido de prevenção a qualquer atitude autolesiva, por que é importante a união de esforços das equipes das áreas de saúde e da educação?

    Dra. Maria Rosa – É na escola que a criança e o adolescente passam a maior parte do seu dia, tendo um contato direto com professores. Estes podem reportar aos pais impressões que eles têm de seus filhos, e juntos podem fazer encaminhamentos adequados para avaliações médicas e psicológicas. Podemos assim reconhecer um maior número de crianças em sofrimento para prevenirmos atitudes autolesivas.

    AT – Por que temos tantas crianças e adolescentes diagnosticadas com transtornos psiquiátricos? Elas estão de fato doentes ou apenas são frutos de uma sociedade que prefere se medicar ao invés de sentir as frustrações normais da vida?

    Dra. Maria Rosa – Não consigo tratar este assunto de forma dicotômica. Ou isto ou aquilo. Algumas estão de fato doentes e muito doentes, e hoje graças aos avanços nas áreas médica e psicológica, se consegue fazer um diagnóstico adequado e dar o suporte apropriado para o tratamento. Em alguns casos percebe-se uma necessidade de patologizar e consequentemente medicar situações corriqueiras que se resolveriam independentemente de qualquer intervenção. Para que isto não ocorra é necessária uma avaliação médica especializada.

    AT -Até que ponto o nosso sistema educacional, que padroniza conteúdos e pouco leva em consideração as habilidades e inabilidades de cada um, contribui para o adoecimento de crianças e adolescentes?

    Dra. Maria Rosa – Um espaço onde existe respeito pelas diferenças e que oportunize a convivência agradável com características individuais sempre será mais saudável para o desenvolvimento humano. Mas todos nós estamos cercados de fatores de riscos para o adoecimento e fatores de proteção para o não-adoecimento, então não é possível atribuir ao sistema educacional de forma isolada contribuição para enfermidades.

    AT – Qual o papel das famílias na saúde mental das crianças e adolescentes?

    Dra. Maria Rosa – Protagonismo. É o primeiro local de convivência, onde são vivenciadas as primeiras experiências afetivas, experiências essas que repercutem nos relacionamentos posteriores. Famílias atentas e cuidadosas criam filhos mais sadios. Normalmente os pais resistem em buscar ajuda para uma criança que vem apresentando problemas pois isto representaria uma denúncia da falha do seu sistema familiar, como se ele tivesse fracassado na criação do seu filho. Em alguns casos esta demora em buscar auxílio acaba por tornar o sofrimento infantil ainda maior.

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