O município de Arroio do Meio sediou, na terça-feira, 13, a assinatura dos contratos dos produtores contemplados pelo Programa Bônus Mais Leite, do governo do Estado. O ato ocorreu na Sociedade Esportiva Amigos, em Picada Arroio do Meio, e contou com a presença do secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Vilson Covatti, prefeitos da região, extensionistas da Emater/RS-Ascar e produtores rurais.
Ao todo, 149 produtores de 22 municípios que integram a Regional da Emater de Lajeado foram contemplados. Participam do programa agricultores de Arroio do Meio, Anta Gorda, Coqueiro Baixo, Putinga, Encantado, Roca Sales, Capitão, Muçum, Ilópolis, Santa Clara do Sul, Vespasiano Corrêa, Pouso Novo, Dois Lajeados, Fazenda Vilanova, Estrela, Travesseiro, Cruzeiro do Sul e Nova Bréscia.
Voltado a agricultores familiares ativos na produção de leite no Rio Grande do Sul, o Programa Bônus Mais Leite tem como objetivo qualificar e fortalecer a cadeia produtiva do leite na agricultura familiar gaúcha, por meio da subvenção financeira de operações de crédito contratadas no âmbito do Plano Safra 2025/2026.
O programa subvenciona operações de crédito contratadas por pessoa física, sendo permitida até uma operação de custeio e uma de investimento por CAF. Nas operações de custeio, o bônus financeiro corresponde a 25% do valor financiado, limitado a R$ 5 mil em subvenção. Já nas operações de investimento, o bônus também é de 25%, com limite de até R$ 25 mil.
Na Regional de Lajeado, da qual Arroio do Meio faz parte, já foram contratados R$ 9,28 milhões, com R$ 1,65 milhão em subvenções, beneficiando 141 produtores de 22 municípios. Em todo o Estado, o programa soma R$ 62,3 milhões em financiamentos, sendo R$ 11,1 milhões em subvenções, alcançando 886 produtores em 198 municípios.
Entre os beneficiados está o produtor Eliseu Alves, da localidade de Arroio Grande. Ele recebeu R$ 10.445, sendo R$ 5.445 destinados a investimento e R$ 5 mil a custeio, recursos que serão utilizados na compra de um espalhador de ureia e no pagamento de calcário. Alves atua na bovinocultura de leite e possui 65 animais entre novilhas e terneiras, sendo 35 vacas em lactação. A produção diária é de cerca de 800 litros, totalizando 24 mil litros por mês. Sobre o incentivo, o produtor avalia como importante, mas destaca as dificuldades do setor. “Esse incentivo é uma ajuda, mas acaba se perdendo em função do valor pago pelo leite. O ideal seria que o benefício chegasse a todos os produtores, nem que fosse diretamente no preço do litro”, pontua.
Cadeia do leite e ganho de produtividade
Durante o evento, o presidente da Emater/RS, Luciano Schwerz apresentou um panorama da cadeia produtiva do leite no Rio Grande do Sul. Conforme dados de 2025, o Estado conta com 104.397 estabelecimentos produtores de leite para industrialização, com 893.098 vacas ordenhadas e uma produção anual aproximada de 4 bilhões de litros.
Por outro lado, o número de estabelecimentos que comercializam leite cru para a indústria ou processam o produto em agroindústrias legalizadas caiu de 84.199 em 2015 para 28.946 em 2025. Segundo Schwerz, programas como o Bônus Mais Leite refletem avanços em produtividade e eficiência. “Mesmo com a redução no número de produtores, houve aumento no volume médio de produção por propriedade e maior adoção de tecnologias, como melhorias no manejo, uso de inseminação artificial, qualificação das instalações e maior controle da qualidade do leite”, destacou.
Em sua manifestação, o secretário Vilson Covatti ressaltou que o programa é a concretização de um projeto construído em um cenário desafiador, marcado pela pandemia e pelas recentes crises climáticas. Ele também citou outras ações da Secretaria de Desenvolvimento Rural voltadas ao fortalecimento do setor primário, como o Milho 100%, a Operação Terra Forte, o Agrofamília e o programa de Sementes e Mudas Forrageiras. “O Bônus Mais Leite foi lançado no momento certo. É uma política pública ágil, simples e que chega diretamente ao produtor, ajudando a manter a atividade, garantir renda às famílias e fortalecer uma cadeia estratégica para o desenvolvimento rural do Estado”, afirmou.





