
A revoada dos pássaros no fim do outono, no hemisfério norte, em direção ao hemisfério sul, é um prenúncio da chegada do inverno. Fogem das agruras do frio em busca de calor e alimento nas zonas temperadas e o verão que se inicia no hemisfério sul.
Há um antigo ditado que diz que uma andorinha só não faz verão. No entanto, quando bandos rodopiam pelos céus, por sobre nossas cabeças, é um prenúncio da chegada do verão.
Na minha casa já me acostumei com o som fantasmagórico dos filhotes de andorinhas ensaiando voo entre os arames que dão suporte ao teto rebaixado. Por mais que se vede o telhado, não há como evitar alguma fresta minúscula por onde entram para construir seus ninhos.
Outras aves migratórias também logo aparecem. Bandos de patos e marrecas cruzam o céu em sua formação de esquadrilha de caça em forma de V para facilitar o deslocamento, vindos da patagônia.
Há pessoas que adoram o frio, o que garante o sucesso do turismo de Gramado e Canela no inverno.
No entanto, tal como os pássaros, as pessoas também buscam as águas cálidas do mar tão logo se anuncia o verão. É impressionante o deslocamento das pessoas rumo ao litoral gaúcho e catarinense, não só de gaúchos mas de argentinos e uruguaios.
As cidades litorâneas multiplicam em cerca de dez vezes o número de habitantes na temporada de verão. As estradas ficam abarrotadas de carros e o trânsito local fica caótico, especialmente no Natal e Ano Novo. Supermercados e restaurantes lotados, chega a faltar alguns tipos de alimentos.
Em Florianópolis, a Ilha da Magia, é proibitivo deslocar-se nesses períodos. Com um único acesso, pela ponte, ruas estreitas e muitas servidões – passagens com poucos metros de largura – é melhor usufruir as férias e não se estressar.
O mesmo ocorre nas principais praias do litoral norte gaúcho. Tramandaí, Capão da Canoa e Torres ficam lotadas de veranistas nesse período. Atrações como o festival de balonismo em Torres, Planeta Atlântida e a pesca da sardinha, na barra do Rio Tramandaí trazem mais turistas.
O veraneio está muito ligado a situação econômica do País e dos países vizinhos. Se necessário apertar o cinto é no supérfluo que deve ser cortado. Passeio é com o dinheiro que sobra depois de atender contas e impostos.
A Argentina vem de um longo período de dificuldades e minha impressão é de que ocorreu uma grande redução dos turistas nas praias catarinenses. Nas estradas notei menor número de veículos se deslocando, trânsito fluindo mais rápido e redução de banhistas na beira da praia. Tive essa mesma impressão em Capão da Canoa e Atlântida, indicando o ciclo econômico mais ajustado.
Logo as férias terminam e o ano começará de verdade, com o retorno às aulas e às atividades laborais. E este é um ano atípico, pois o brasileiro deverá decidir sobre a troca de seus governantes e legisladores. Os primeiros ensaios já pintam nos noticiários com suas pesquisas muitas vezes contraditórias. Que reflita bem e faça boas escolhas pois é o verdadeiro dono do poder e responsável pelos destinos de nosso País.

