Com a chegada dos meses mais quentes, cresce a busca por rios, balneários, piscinas e açudes como opção de lazer, mas também aumenta o risco de acidentes. O ano de 2026 inicia com um alerta preocupante. Entre os meses de dezembro e janeiro foram registrados seis casos de afogamento, totalizando seis mortes na área de responsabilidade territorial da 2ª Companhia do 6º Batalhão de Bombeiro Militar, com sede na cidade de Lajeado.
Diante deste cenário, o capitão do Corpo de Bombeiros Militar de Lajeado, Fábio Cristiano Lopes, reforça o alerta para comportamentos seguros e orientações essenciais que podem salvar vidas, especialmente neste período de maior exposição à água. Segundo ele, os casos de afogamento ocorrem com mais frequência no verão e essa maior exposição ao risco, somada à falta de familiaridade com as correntes e ao consumo de álcool, eleva drasticamente os índices de acidentes fatais.
“O consumo de álcool é um dos fatores mais críticos para afogamentos, pois, promove uma desconexão perigosa entre a mente e o corpo. Ao mesmo tempo em que a substância inibe o senso de perigo e gera uma euforia que leva o banhista a superestimar sua resistência, ela compromete severamente o sistema psicomotor, reduzindo os reflexos, a coordenação e a capacidade de flutuação”, alerta Lopes.
O capitão enfatiza que as sucessivas cheias de 2023 e 2024 que atingiram o rio Taquari recentemente transformaram drasticamente sua morfologia, tornando o ambiente extremamente perigoso e imprevisível para o banhista. “A força das águas não apenas alterou o leito, criando novos buracos e bancos de areia onde antes o fundo era estável, mas também depositou uma enorme quantidade de detritos submersos, como galhos, árvores inteiras e entulhos de construções destruídas”.
Por outro lado, crianças em água exigem atenção redobrada dos pais e responsáveis. O Capitão lembra que a distância máxima de uma criança na água deve ser a de um braço. “O afogamento de crianças é silencioso e rápido (questão de segundos). Importante salientar que o afogamento é a segunda causa de morte de crianças de 1 a 4 anos de idade, sendo que a grande maioria destes afogamentos ocorrem em ambientes residenciais”, afirma.
Para quem for aproveitar o lazer na água durante o verão, o Corpo de Bombeiros orienta a sempre respeitar as áreas sinalizadas e as orientações dos salva-vidas; utilizar coletes salva-vidas (caso não saiba nadar); sempre supervisionar as crianças; não fazer uso de bebida alcoólica e sempre buscar informações sobre o local onde pretende banhar-se para conhecer os riscos existentes.
Caso presenciar um princípio de afogamento, a orientação é não tentar salvar alguém sem treinamento. “Se vir alguém se afogando, não pule na água. Jogue algo que flutue (garrafa PET vazia, boia, bola) e chame o socorro (193). Muitas vezes, quem tenta salvar sem técnica acaba se tornando a segunda vítima”, adverte Lopes.
Cuidados básicos ao frequentar rios, açudes e praias
Rios e açudes são os locais onde ocorre a maioria dos afogamentos no Brasil, devido à falsa sensação de calma da água. Totalizando cerca de 70% das mortes por afogamento.
- Cuidado com o fundo: O relevo de rios e açudes muda constantemente. Um local que era raso ontem pode ter um buraco ou um tronco hoje. Nunca mergulhe de cabeça (risco de traumatismo craniano e paralisia).
- Correntezas invisíveis: Mesmo que a superfície pareça parada, pode haver correntes fortes no fundo.
- Cuidado com o lodo e galhos: É comum o pé prender em vegetação aquática ou galhos submersos.
Cuidados em praias (mar)
O mar é um ambiente muito mais energético e imprevisível devido às ondas e marés.
- Identifique as correntes de retorno: São áreas onde a água parece mais calma (sem ondas quebrando), mas na verdade é um canal onde a água volta para o fundo com muita força. Nunca entre nessas áreas.
- Respeite a sinalização: Bandeiras vermelhas indicam que o local é perigoso. Se não houver guarda-vidas por perto, evite entrar na água além dos joelhos.
- Regra do umbigo: a orientação técnica dos bombeiros é clara: “Água no umbigo, sinal de perigo”. Da cintura para cima, o corpo perde peso e fica mais fácil de ser arrastado pelas ondas.
Cuidados gerais
- Não use boias infláveis no mar ou rios: Boias de braço ou pneus dão uma falsa sensação de segurança e podem ser arrastados facilmente pelo vento ou correnteza para o fundo. O único equipamento seguro é o colete salva-vidas homologado.
- Aguarde a digestão: Entrar na água logo após uma refeição pesada pode causar mal-estar e cãibras severas.
- Evite o consumo de álcool: O álcool altera a percepção de perigo e diminui a resistência física e os reflexos.


