
A semana começou – e terminou – com a revolta de aposentados diante do posto do INSS no Centro de Porto Alegre. Há vários dias esta gente cansada, muitos com doenças crônicas e na maioria pobres, sofre diariamente nas filas. O presidente do órgão, Gilberto Waller Júnior, nas diversas entrevistas que concedeu nos últimos dias, preferiu culpar a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência), responsável pela parte técnica do órgão.
O Brasil é um país único e estranho. À exceção da urna eletrônica – único instrumento tecnológico infalível há décadas e somente usada aqui! – toda a parafernália exibe problemas. Até o PIX sofre colapso, sem falar do Whatsapp, do Instagram e outras redes sociais de alcance mundial.
Na questão dos aposentados, proliferam promessas, mas o que se vê é o total descaso com esta gente que trabalhou a vida toda e sustenta o INSS e total ausência de solução definitiva para o calvário dos idosos e doentes.
Não bastou o escândalo que surrupiou bilhões através de entidades ditas “de apoio aos aposentados” e que ficou conhecido como “Roubo do INSS”.
A bagunça continua. Certamente é porque o público prejudicado tem pouca força na mídia, voz fraca para reverberar suas agruras e influência quase nula.
É uma mazela que se arrasta há décadas
e que, pelo noticiário diário, só piora
O mesmo ocorre junto à imprensa e ao governo federal. Lembro de senador gaúcho que conquistou vários mandatos se dizendo “defensor dos aposentados”. Ele está sumido, longe dos microfones e parou de vociferar desde a tribuna em favor dos aposentados.
O aparelhamento político no comando de ministérios, empresas públicas e autarquias federais é a marca da ideologia do atual governo federal. Em 2025 tivemos prejuízos históricos em quase todas as estatais. Um dos exemplos mais vergonhosos deste descaso é o rombo dos Correios que, em 2025 atingiu a histórica marca de R$ 10 bilhões.
O fracasso desta empresa que já orgulhou os brasileiros há muito tepo causou a falência. Numa tentativa desesperada, dirigente estão “passando o pires” em busca de um empréstimo fabuloso de R$ 12 bilhões. Sob o comando de “companheiros” sem qualquer traquejo para pilotar uma empresa deste tamanho, não há esperança de recuperação.
Os aposentados historicamente são ignorados pelos gestores públicos. O atraso na análise para a concessão de benefícios bate recordes. É uma mazela que se arrasta há décadas e que, pelo noticiário diário, só piora.

