Afetado pelos eventos climáticos de 2023 e 2024, o cenário do bairro Navegantes começa a se transformar com o início do trabalho de limpeza na área de arraste. Com o apoio das máquinas do Governo do Estado, o serviço que já está em andamento é viabilizado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedur). Porém, a situação vem causando divergências na comunidade.
Se por um lado a ação representa mais um passo no processo de reorganização, limpeza urbana e saúde pública, há quem defenda que parte dos escombros da enchente de 2024 seja conservada, simbolizando o ocorrido, como forma de revelar a dimensão da catástrofe para as futuras gerações.
No momento estão sendo removidos os escombros de prédios públicos e também de imóveis de famílias já beneficiadas pelo programa Compra Assistida ou que autorizaram a realização do serviço. Os prédios onde funcionavam a Escola Construindo o Saber e o Posto de Saúde do Navegantes, não existem mais.
Na manhã de ontem, dia 5, os empresários Liselena Neumann, Rejane Kerbes e Vianey Halmenschlager se reuniram com o secretário de Planejamento, Pedro Luiz da Silva, solicitando a não demolição do prédio onde funcionava a Escola de Educação Infantil Atalaia, no intuito de preservar o espaço como memorial. O intuito do encontro foi dar ideias e formas de utilização do prédio, sem a necessidade de destruí-lo.
O secretário da pasta destaca que a limpeza está sendo realizada para futuramente serem construídos parques neste espaço, como forma de trazer a comunidade para usufruir disto. “O município montou um projeto para tentar buscar recursos em busca de definir o que fazer com aquela área. Então, se a gente não criar um parque legal e pensar como vai ser utilizado este espaço, o município não vai ter como manter esses 37 hectares. O projeto montado ficou em torno de R$ 80 milhões com ciclovia, pista de caminhada, arborização, entre outras”.
Aspecto de abandono e memória
Para os poucos moradores que permanecem no bairro, a limpeza traz uma sensação de alívio, pois o local aparenta estar em situação de abandono. O morador do bairro e motorista de aplicativo, Ivan Schauren, vê a limpeza como necessária. “É muito bom ver as máquinas trabalhando e retirando os escombros das residências destruídas. Esse trabalho melhora um pouco o aspecto da cidade, tirando um pouco o aspecto de abandono que se vê aqui, pois antigamente o bairro era muito bem visto. As poucas ruas que sobraram, estão se fechando, pois, a vegetação não para de crescer. Com certeza já dá um outro aspecto para o bairro”.
O proprietário da Casa do Peixe, Darcísio Schneider (Picolé) se mostra contente com o que está vendo, pois para ele também preocupava muito o abandono no entorno da casa, que hoje é um símbolo de Arroio do Meio e do Estado. “A situação me deixa triste por um lado e contente por outro. Uma porque resido aqui há 40 anos e sinto falta do bairro em si. Achei um pouco precipitada a ideia de uma hora para outra, decidir que o bairro não existe mais. É um impacto muito grande para quem fica. Ainda não vi o projeto do parque que será feito em todo o bairro, mas ver o começo da terraplanagem me deixa muito satisfeito”.
Por outro lado, Schneider destaca que o município de Arroio do Meio nasceu no Navegantes. “Aqui era um bairro extremamente movimentado e isso está ficando esquecido. A gente vê que em outros municípios da região que também sofreram com as cheias, já restauraram lugares que estão à beira do rio. Só acho que deveria ser estudada melhor essa questão da memória do município, pois foi aqui que o município nasceu e isso dói um pouco na alma da gente”.



