Valdir e Tercila Castoldi Pederiva, moradores de São Jacó, chegaram a pensar que a propriedade não teria continuidade, que a família buscaria outra alternativa de subsistência em vista das dificuldades que o produtor rural tem enfrentado. Desvalorização no preço dos produtos, do trabalho que é diário e sem hora pra acabar, poucos incentivos, alta dos preços de insumos, o clima instável e por vezes, arrasador. Enfim, permanecer no meio rural tem sido um desafio diário, onde é preciso ter fé e coragem.
Na medida que o município foi crescendo, os dois filhos do casal, Christian e Diego, também cresceram, auxiliando nas tarefas junto à propriedade de 29 hectares.
Diego, hoje com 37 anos, em dado momento seguiu para o trabalho formal. Reside em Arroio do Meio há dez anos e trabalha na empresa Sulati onde é gerente de logística.
Christian, 39 anos, trabalhou nas indústrias Incobel Calçados e Laticínios Dália. Diferente do irmão, decidiu permanecer e apostar na propriedade, largou o trabalho formal e se adaptou às grandes mudanças que foram acontecendo. Hoje, controla o próprio horário, não tem domingo, feriado, hora extra, férias remuneradas ou 13º salário, porém está feliz com os resultados que tem alcançado.
O vínculo familiar, as melhorias de condições de trabalho e de renda e a realização de uma gestão compartilhada entre pais e filho serviu de estímulo para a permanência.
Além da produção de leite, que sempre foi expressiva, os Pederiva cuidavam de três aviários, que demandavam muito trabalho. Há três anos encerraram as atividades com os frangos, mantiveram o plantel de animais, hoje são quarenta, dos quais vinte vacas em lactação que garantem uma produção média de 350 litros/dia, comercializada com a indústria LATISUL de Anta Gorda.
Christian está otimista com a suinocultura na propriedade. Há 16 anos, a família dedica-se também à creche de suínos. Mantém uma granja moderna, automatizada, que atende dois mil animais (fase creche), que no tempo certo são comercializados com granjas independentes. O sistema de cuidado com os animais é rígido. Há todo um acompanhamento técnico, controle de visitas, de roedores, insetos, cercamento e desinfetação, entre outros, tudo para garantir a sanidade do animal e não prejudicar a exportação da carne suína.
Christian, Tercila e Valdir Pederiva se ajudam no que for preciso. Maquinários como trator, incubadeira, plantadeira, carretão, pulverizador, distribuidor dos dejetos líquidos, também as pastagens… tudo precisa estar funcionando. Um trabalho diário onde é preciso dividir tarefas com responsabilidade, e a família, sozinha, tem dado conta de todo trabalho.
“Viver em São Jacó há tantas décadas, ver que a propriedade é assistida e fazer parte da história de Capitão desde que o mesmo era uma colônia, depois distrito e hoje, uma cidade, é muito bom.
Trabalhamos bastante e percebemos que as coisas funcionam. Os animais estão bonitos, programas como bonificação por parte do município e auxílio na inseminação dos animais com pagamento de boa parte do sêmen, são incentivos que nos motivam a permanecer, traçar metas e assumir novos desafios”, finalizou Christian, sob o olhar orgulhoso da mãe Tercila.


