
“As câmeras de segurança de hoje equivalem às fofoqueiras que ficam à janela, falando mal da vida alheia com riqueza de detalhes. Uma cena muito comum durante décadas”. A frase, bem humorada, traça um paralelo sobre a comunicação interpessoal que nós, “jovens há mais tempo”, com 60 anos ou mais, presenciamos desde a infância, passando pela adolescência e tendo, agora, um choque diante da overdose de informações e liberdade de expressão jamais vista.
O acesso aos mais diversos conteúdos, através da mídia e das redes sociais, como tudo na vida, tem os dois lados. Se é possível acessar detalhes minúsculos sobre os mais variados assuntos, também é verdade que o uso da tecnologia se transformou numa arma letal, principalmente para falar mal da vida alheia e destruir biografias sem direito à defesa.
Há mais de 100 quilômetros de distância de Arroio do Meio tenho recebido com frequência conteúdos, na maioria das vezes se tratam de áudios, com conteúdos chocantes, para dizer o mínimo, envolvendo figuras ilustres – e outras nem tanto – do nosso município.
Confesso a vocês, leitores e leitoras, que fiquei boquiaberto. Não pelos pretensos fatos narrados nas mensagens enviadas pelo Whatsapp porque se tratam de episódios normais em qualquer comunidade. O que chamou a minha atenção é o uso indiscriminado deste tipo de “arma” para comprometer a trajetória de tantas pessoas, dos mais variados segmentos e classes sociais.
Uma mentira repetida várias vezes torna-se verdade.
Uma lamentável certeza em tempos de redes sociais
Falar mal da vida alheia se transformou em esporte nacional aliás, preferido de quase todo o mundo. Tudo certo, se isso for feito à boca pequena, mas publicizar este tipo de material através das redes sociais é de uma maldade imensurável. Afinal, os citados não têm a mínima chance de defesa ou de, ao menos, contar a sua versão sobre os fatos espalhados na comunidade.
A expressão “uma mentira repetida várias vezes vira verdade” é frequentemente atribuída a Joseph Goebbels, então ministro da propaganda da Alemanha nazista. Resume como é difícil desfazer uma inverdade que se espalhou, chegou a um grande público e que parece impossível de desfazer.
Quem escreve no jornal, fala na rádio, na televisão ou posta nas redes sociais deve ter responsabilidade sobre o que trata. No caso das tais “listas” é praticamente impossível chegar-se à origem da postagem, ou seja, quem foi o autor da primeira mensagem. Ou seja, trata-se de mais um crime sem solução. O que é lamentável porque trata de seres humanos expostos publicamente.

