
Amo feriados. São meus dias oficiais para desobedecer o despertador e fingir que a agenda nunca existiu. Uma pequena rebelião doméstica, sem risco de prisão — no máximo, um café mais demorado. O Dia do Trabalhador, quando resolve cair numa sexta-feira, é praticamente um milagre. Vira um fim de semana esticado, desses que a gente olha no calendário duas vezes só para confirmar que não é pegadinha. Assim será o 1º de maio de 2026. Uma data que celebra conquistas importantes, como a jornada de oito horas e, convenhamos, às vezes se alonga discretamente quando o chefe resolve “só mais uma coisinha”.
E lá vem também o pacote de debates: fim da escala 6×1, semanas mais flexíveis, a sonhada jornada de quatro dias. Um futuro onde talvez a gente trabalhe menos… e continue reclamando igual, por esporte. Mas eu, sinceramente, nesse dia, pretendo exercer um direito fundamental: não pensar em nada disso. Quero apenas descansar — atividade na qual venho me especializando ao longo dos anos, com resultados bastante promissores.
Claro, há quem não tenha esse privilégio. Em muitos setores, o feriado é só um dia com trânsito melhor. E lembro bem das vezes em que encarei plantões que seriam “compensados” depois. Mas quando? Numa terça-feira qualquer, em que você está livre e o resto do mundo ocupado. Uma típica folga com gosto de sala de espera. O plantonista, aliás, é uma figura filosófica. Trabalha no feriado, folga no dia útil e vive num fuso horário próprio. Recebe em dobro, dizem. Mas o que falta mesmo é dividir o churrasco.
Eu, jornalista, já fiquei sozinho na redação em muitos desses dias. Sempre torcendo para que a grande notícia tivesse o bom senso de esperar até o expediente normal. Não por falta de compromisso — era puro realismo: tentar achar uma fonte no feriado é quase um exercício de fé. O telefone toca, toca… e do outro lado, só o silêncio, provavelmente acompanhado de uma churrasqueira acesa.
E há ainda os profissionais do lazer — ironia das ironias. Trabalham justamente para que os outros descansem. Cinema, shopping, restaurantes. Esses folgam sempre depois. O descanso deles parece entrega programada: “previsão para o próximo dia útil”.
No meio disso tudo, fica aquele sentimento meio torto: saber que a família seguiu o feriado sem você. Às vezes em casa, às vezes em passeio, sempre com um espaço vazio na foto e alguém dizendo “pena que você não veio”.
Mesmo assim, a data merece respeito. Ainda há muito a melhorar nas condições de trabalho, e isso passa, principalmente, por quem emprega. Não é só sobre salário ou carga horária — é sobre respeito, ambiente digno, comunicação clara. E, se possível, a ousadia de deixar as pessoas viverem um pouco fora do expediente. Porque, no fim, o trabalho move o mundo — mas ninguém quer viver só de movimento. De vez em quando, é preciso parar, sentar e aproveitar o feriado. Principalmente quando ele cai numa sexta.

