Arroio do Meio – Na semana pré-carnaval o dólar chegou à R$ 2,87. Valor mais alto desde outubro de 2004. Só nos últimos seis meses teve valorização de 25%. A maior cotação em mais de 10 anos, já influencia o preço de viagens – o dólar turismo (com imposto embutido) já passa de R$ 3 –, e produtos com itens importados, como químicos presentes nos produtos de limpeza, e aço.
Apesar do pessimismo no mercado interno – também ligado a elevação das tarifas públicas na distribuição de energia elétrica e combustível, e no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) –, a exportação volta a ser atrativa. O efeito colateral é a diminuição da oferta no mercado doméstico, segundo analistas, o que encarece os produtos de forma geral.
Em 2014 o saldo da balança comercial no município foi de aproximadamente US$ 15,4 milhões. Os produtos exportados somaram US$ 25,7 milhões e os importados US$ 10,3 milhões. Foi o melhor resultado obtido desde 2008 quando o superávit passou de US$ 24 milhões, sendo que o recorde ocorreu em 2007, superando US$ 28,8 milhões, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento.
A queda nos anos seguintes, de acordo com a Secretaria Municipal da Fazenda e Secretaria Municipal da Indústria, Comércio e Turismo, esteve relacionada a desvalorização do dólar no mercado internacional, que foi um dos motivos do fechamento da Calçados Majolo, que era considerada a principal exportadora na época.
Já a recuperação nas exportações está atrelada a investimentos na diversificação da indústria. E a explicação para o baixo saldo nos exercícios de 2010 e 2013, quando ficou abaixo de US$ 5 milhões e US$ 2 milhões, é decorrente de investimentos em tecnologia importada para plantas industriais.
Antes o volume de exportações só havia retraído na implantação do Plano Real, quando o dólar chegou a valer R$ 0,82, e bem no início da década de 2000, com a entrada da China e Ásia no mercado internacional.
O calçado que liderava as exportações caiu para o 15º lugar. O couro não preparado ocupa 4 ª colocação e o preparado a 10ª. Ao mesmo tempo a exportação de gêneros alimentícios, como carne e derivados produtos de confeitaria, chocolate, proteínas, produtos de limpeza e embelezamento, temperos, soja e derivados e, agentes químicos, cresceu, justificando os investimentos feitos na diversificação da economia.
O empresário Paulo Weizenmann diretor da Júlia Calçados, afirma que um panorama completo do impacto da valorização do dólar no mercado mundial só será possível dentro de dois meses, pois o governo poderá interferir por meio de suas reservas cambiais.
A empresa especializada na fabricação de botas femininas de inverno ainda está produzindo para atender pedidos de contratos fechados anteriormente. Em decorrência da perda de competitividade, as vendas para os mercados dos EUA e Inglaterra, diminuíram e o Chile se tornou uma alternativa.
“Com nossa moeda muito valorizada estávamos sujeitos a perder todos os clientes norte-americanos para outros mercados como o México. Mas com a mudança no câmbio estamos tentando mudar o quadro, fazendo ajustes. Vamos ter que dar descontos para que as negociações aconteçam. Se a cotação do dólar continuar elevada exportação irá aumentar”
Já o diretor da Girando Sol, Gilmar Borscheid, revela que a elevação do dólar já impacta em 15% nos custos de produção, decorrente da importação de matérias primas específicas. “Como só exportamos 2% da produção, o lucro obtido com a balança comercial só pondera o aumento com as despesas em energia elétrica e combustíveis”, retrata.
Conforme o empresário as vendas continuam aquecidas, mas a margem de lucro é baixa. O cenário é ainda mais pessimista para os que fizeram investimentos em infraestrutura por meio da captação de recursos da cesta de moedas internacional, onde o dólar corresponde a cerca de 90%, das transações, “a única maneira de ajudar o país é continuar consumindo para geração de renda e empregos”, refletiu.
O sócio proprietário da Plano Concreto, Marciel Stein, afirma que o preço do aço tende a subir com a elevação do dólar. Mas apesar da restrição de crédito no mercado, aumento do custo operacional devido ao aumento do custo no fornecimento de cimento e energia, projeta o mesmo volume de negócios do ano passado, “o mês de janeiro surpreendeu. Investidores capitalizados estão aproveitando a mão de obra mais barata como estratégia de mercado”, revela.
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