Arroio do Meio – Primeiro eram os pequenos furtos, depois vieram os arrombamentos. Os comerciantes e população até tentaram se precaver. Buscaram instalar grades, alarmes e câmeras nas lojas e estabelecimentos. O mesmo tem ocorrido nas residências.
Entretanto agora, os bandidos ficaram mais ousados. Estão agindo sem pudor para roubar os bens e o dinheiro alheio.
Os grupos marginalizados estão praticamente em cada bairro e localidade, isto quando não agem em ‘parceria’ com criminosos de fora. Está cada vez mais difícil conhecer pessoas que não foram vítimas de crimes.
Recentemente a polícia tem tentado desarticular uma quadrilha de menores infratores, integrada por moradores do Loteamento Glória em Bela Vista, cujo único objetivo é ostentar grifes e um estilo de vida marginal associado ao uso de drogas, que lhes convence sobre a ilusão de terem ‘liberdade’.
Eles são os principais suspeitos de terem arrombado uma mercearia de produtos coloniais aberta há 2 meses na rua das Flores, loteamento Antares XIX. O proprietário só conseguiu recuperar parte das mercadorias, os autores se negaram a entregar o televisor e o netebook. “Todo mundo sabe quem são. Mas não é feito nada”, desabafou.
Mas os menores não são os únicos.
A polícia ainda investiga um assalto realizado às 16h30min de tarde sexta-feira (2). Desta vez o alvo foi um mercado situado na rua Bela Vista, próximo à escola municipal. Um dos indivíduos armado e encapuzado, se direcionou diretamente ao caixa, rendendo a proprietária e duas clientes. Levou quantia em dinheiro e fugiu. De acordo com populares ele pegou carona com um Peugeot de cor preta.
Ninguém dá emprego para quem tem ficha suja
A comerciante Elvira Meneghini, a Baixinha, de Bela Vista, avalia que a falta de policiamento e as leis brandas que aumentam a sensação de impunidade são responsáveis pelo aumento de crimes. “Muitos arrombamentos, furtos e assaltos vem ocorrendo. Sentimos-nos impotentes. Talvez sistemas públicos de monitoramento de longo alcance e alta definição poderiam inibir a ação destes delinquentes, mas a tendência é piorar. Ninguém dá emprego para quem tem ficha suja, ambas as partes, o ex-deliquente e o empregador se sentiriam desconfortáveis”, estima. Baixinha já foi assaltada em três ocasiões, em 2003, 2013 e na sexta-feira (02).
Falta polícia após às 18h
Cristiano Bruxel, proprietário de uma loja especializada em telefonia celular, acredita que o projeto de videomonitoramento vai ajudar a polícia a realizar barreiras na rota de fuga dos criminosos. “Geralmente os assaltantes mandam as pessoas que estão nos estabelecimentos a se jogarem no chão, o que dificulta repassar informações sobre como os bandidos chegaram e fugiram”, atenta.
Bruxel também acredita que a mudança de horário na troca de turno dos policiamentos, para depois das 19h, ajudaria na prevenção de crimes. “Não se vê policiais nas ruas após as 18h, quando também diminui o número de pessoas circulando no comércio”, revela. Seu estabelecimento foi assaltado em duas ocasiões. Antes disso foi arrombado diversas vezes. “Colocamos grades para combater os furtos, mas depois aumentaram os roubos à mão armada. O fim do dia sempre nos deixa apreensivo. É preciso se precaver. Nossa ideia é instalar filmadoras”, comenta.
Redução do horário de atendimento
O sócio-proprietário do supermercado Arroiomeense, Juarez Fontana, defende que a BM disponibilize efetivo para determinadas áreas comerciais no fim do período, para atuar de forma ostensiva na prevenção da criminalidade. “Não sabemos se filmagens vão inibir a ação dos bandidos. O ideal seria a classe do comércio entrar num consenso em fechar os estabelecimentos às 18h, pois depois tem menos pessoas circulando na rua, e os estabelecimentos abertos ficam mais vulneráveis a assaltos, levando o dinheiro de um dia inteiro de trabalho”, compartilha. Seu estabelecimento já foi assaltado quatro vezes, em todas as oportunidades de forma repentina. “Tem dias que se pensa em desistir”, revela.

