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    Agricultura

    Leite e a política de preços mínimos

    adminBy admin8 de junho de 2018Nenhum comentário3 Mins Read
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    Nesta semana, uma das várias comissões existentes no senado federal, denominada de Comissão de Assuntos Econômicos, aprovou um Projeto de Lei Complementar, de nº 215/2015, que após passar ainda pelo Plenário do Senado e depois pela apreciação e aprovação do Congresso Nacional (Câmara e Senado), poderá incluir o leite na lista dos produtos amparados pela política de garantia de preços mínimos.

    É interessante observar que o projeto foi apresentado no Senado há três anos e a mencionada Comissão Especial levou todo esse tempo para aprovar a matéria. Se a partir de agora o assunto passa a ser analisado pelas outras instâncias do Senado, incluindo o Plenário, e precisar de mais um prazo tão estendido, poderemos colher os frutos desse “anseio” ou reivindicação, após um razoável período de cinco a seis anos, que é um tempo exageradamente longo.

    Sobre os efeitos práticos da anunciada medida de inclusão do leite na política de preços mínimos, podemos considerar como sendo o atendimento de um dos pleitos dos produtores. Pois o estabelecimento oficial de preços mínimos, em tese, leva em conta dois aspectos importantes, que é o custo de produção e uma margem de lucratividade para o empreendedor.

    Hoje a quase totalidade dos produtores de leite afirma que a atividade deixou de ser atrativa, pois o agricultor está, por assim dizer, pagando para produzir. De fato os custos de produção aumentam constantemente, enquanto o preço pago pelas indústrias registra uma queda muito acentuada desde o final de 2016.

    Se o leite passar, efetivamente, a integrar a lista dos produtos amparados por uma garantia de um preço mínimo, deverá haver um equilíbrio e ninguém precisará trabalhar e produzir de graça.

    Pós-greve dos caminhoneiros

    Os onze dias de mobilização (greve) dos caminhoneiros, apoiados por segmentos da sociedade, da população, entidades classistas, empresas e órgãos públicos, continuam a repercutir fortemente em todos os recantos brasileiros.

    Todos, indistintamente, têm opiniões. Muitos assumem posições. Mas não há quem não se sinta atingido de alguma forma. O que escutamos frequentemente, são expressões do tipo “o consumidor está pagando a conta”, ou “o brasileiro não sabe a hora de colocar um basta nas injustiças, nos desmandos, na onda de corrupção que se instalou no Brasil”, dentre outras colocações.

    Afinal, quem ganhou e quem perdeu com essa mobilização? – Os ganhos, possivelmente sejam pequenos e duvidosos. O governo foi forçado a dar algumas concessões, que podem ser passageiras, efêmeras. As perdas, essas já são mais sentidas e muito poucos podem dizer que não sentiram algum efeito, principalmente no bolso, na hora de comprar itens de alimentação, gás de cozinha, etc., que dependem de transporte.

    Passada uma semana praticamente do final do manifesto, ainda não está normalizado o abastecimento de combustíveis em muitos estabelecimentos.

    Mas um grande baque ocorreu no setor da produção agropecuária, consequentemente nas agroindústrias. A grande maioria dos produtores de frango, de leite e de suínos, gado de corte, foi afetada com alguma perda. Por falta de ração, foram registradas perdas de peso de frangos, prontos para o abate, mas que ficaram retidos nos aviários. Suínos tiveram uma situação idêntica e produtores de leite, nem todos, mas muitos, tiveram prejuízos, sem chances de recuperação.

    É público e notório que uma das maiores lições, da justa reivindicação dos caminhoneiros, foi a demonstração de ausência de organização. Se aconteceram ganhos materiais, nada está previsto no que diz respeito às nossas infraestruturas de transporte e de capacidade de respostas para eventos desta natureza. Os riscos, de vida inclusive, falaram alto.

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