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    Pandemia

    Apesar do número de casos, município ainda não teve óbitos

    adminBy admin15 de maio de 2020Nenhum comentário6 Mins Read
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    Hoje completa um mês após o primeiro caso de coronavírus confirmado em Arroio do Meio. Até o fechamento desta edição, o município registrava 49 casos. Dentre eles, duas mulheres, ambas de 63 anos, grupo de risco, internadas na UTI em Estrela, dois pacientes na ala covid do Hospital São José, 15 em isolamento domiciliar e 30 recuperados.
    Na próxima quarta-feira, dia 20, completam dois meses das primeiras medidas de prevenção e segurança sanitária, que incluem a paralisação das aulas, atividades culturais, esportivas e sociais, além de restrições nas atividades econômicas, para evitar aglomerações.
    De acordo com a secretaria de Saúde, mais de mil pessoas já recorreram ao Telessaúde, que funciona 24 horas, com toda a equipe médica e de profissionais de saúde à disposição dos munícipes. O médico do Posto Central de Arroio do Meio, Vinícius Spironello, explica que o encaminhamento dos pacientes às instituições de saúde ou recuperação em casa com monitoramento dependem muito da gravidade dos sintomas, dos exames e resultados. “A recomendação é buscar orientação clínica por telefone e evitar a automedicação”, esclarece.
    Os sintomas mais comuns de covid-19 são a tosse seca, dor de cabeça e dor muscular. Os mais graves são o cansaço e a falta de ar. Apesar de protocolos em vigência, cada situação é tratada de forma muito específica. Os pacientes em quarentena domiciliar são visitados periodicamente.
    Até o momento, só são realizados os testes em quem tem os sintomas mais graves. Os testes rápidos para saber se a pessoa esteve com covid, só são realizados 10 dias após o fim dos sintomas.
    Entre os recuperados estão trabalhadores bastante conhecidos em suas comunidades e no município. Dois deles relataram ao AT o drama de temer a morte.

    “Pedi socorro a Deus”

    A operária do frigorífico avícola da Dália, Ana Paula Alves Veiga, 41 anos, moradora do loteamento Glória, sobreviveu a nove dias de intubação na UTI do Hospital Estrela, seguidos de internação de duas semanas no Hospital São José, na luta contra a covid-19. A estimativa é de que ainda fique, pelo menos, um mês em casa, se recuperando.
    Na metade da semana pós-Páscoa, Paula se sentiu diferente, mas não desconfiou do novo coronavírus. Fez questão de não faltar ao trabalho, pois ainda estava no contrato emergencial. No fim da noite da sexta-feira, 17 de abril, após sentir falta de ar, com os pulmões sobrecarregados e com a respiração muito curta, a voz falhando e muita tosse, pediu ao filho Bruno, de 23 anos, que retornava do trabalho noturno, que a levasse ao plantão do Hospital São José. Como não tinha febre e nem dores no corpo, não imaginava que estava contaminada.
    Quando constataram o coronavírus, após exames, de forma muito rápida, ela foi transferida para a UTI de Estrela e intubada. “A sensação era terrível, de que nunca mais sairia daquele ambiente gelado e de morte iminente”, relata. Como estava com os rins comprometidos os médicos tiveram que aumentar a medicação, e toda a alimentação ocorreu por sonda.
    Como estava sedada, teve delírios, como a certeza de que conversou com pessoas que não estavam na instituição hospitalar e que não conhecia. “Orei muito para sair daquela situação. Tive um encontro com Deus e com os anjos. Melhorei, graças a Ele e aos profissionais de saúde”, conta.
    Após ter alta da UTI, Paula ficou em recuperação no Hospital São José. Só voltou a se alimentar de forma mais satisfatória no dia 4 deste mês, já em casa, porque antes disso, os medicamentos lhe tiravam o apetite.
    Mãe de um casal de filhos e casada com Tibério Chaves, lamenta o preconceito das pessoas com sua família e, especialmente, os áudios maldosos compartilhados em redes sociais. “Nenhum ente da minha família, inclusive a netinha de um ano e meio, apresentaram sintomas. É preciso ter em mente que qualquer um pode contrair o coronavírus. Tenho quase certeza de que me contagiei no ambiente de trabalho ou no círculo de convívio profissional, pois fora dele estava evitando aglomerações. Outros colegas de trabalho pegaram o coronavírus mas ficaram em quarentena em casa”, esclarece.
    Por outro lado, agradece pelas orações dos amigos e familiares, que acredita que foram determinantes para vencer a luta contra a covid. “Não vejo a hora de retornar à minha rotina de trabalho e viver de forma independente, sem precisar de ajuda para atividades essenciais”.
    Paula ainda sente tontura e, devido à internação prolongada e aos remédios, perdeu muita força muscular, e permanece com muita dor e dormência pelo corpo. Em sua visão, para a sociedade vencer a pandemia, as pessoas precisam superar os preconceitos e amar mais ao próximo. “É preciso parar de falar besteira e ter Deus no coração. Ninguém quer passar por isso. Tem muitos morrendo”, alerta.

    “Achava que era uma gripezinha”

    Natural de Três Saltos Baixo, o taxista Renato da Silva, o popular Tatu, de 54 anos, mora em Arroio do Meio há cerca de 30 anos. O motorista profissional, que já atendeu integradoras e, há dez anos, transporta passageiros, passou por muitas situações difíceis na profissão, como acidentes de trânsito.
    Ele mesmo também acreditava que a covid era uma gripezinha. Na tarde do dia 22 de abril, após levar um grupo de idosos que realizaram compras no comércio para casa, começou a passar mal e foi ao posto de saúde. Imediatamente, ao constatarem os sintomas, Tatu foi conduzido ao Hospital São José, onde passou por uma bateria de exames que confirmaram o contágio, sendo transferido para a ala covid, em Estrela. “No segundo dia eu achei que ia morrer. Mas reagi bem ao tratamento com uma gama diversificada de medicamentos. Cuidaram bem de mim. Ganhei alta no dia 28 e depois fiquei em isolamento total”, contou.
    Tatu revela que já poderia estar atuando, pois recebeu atestados que comprovam que está sem resquícios do vírus, mas prefere descansar pelos próximos dias. O que o surpreende é que nenhum dos idosos da última corrida pegou a covid. “A sensação é terrível. Eu achei que ia morrer. Não desejo isso nem para meu pior inimigo. Pobres das pessoas que morreram e que ainda vão morrer sem ganhar atendimento. Eu era mais um dos que pensavam que era apenas uma gripezinha. Mas entendo que as pessoas devam logo procurar ajuda e não insistir em fazer o tratamento por conta, pois pode se ir logo abaixo”.

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