Os frigoríficos da BRF e da Companhia Minuano de Alimentos, em Lajeado, seus cerca de cinco mil funcionários e toda a cadeia produtiva, ainda aguardam definições do Ministério Público do Rio Grande do Sul que pediu a interdição na segunda-feira, dia 4, considerando o elevado número de casos de coronavírus na cidade e arredores, com um significativo envolvimento de trabalhadores dessas indústrias.
Até o fechamento desta edição, ao meio dia de ontem, não havia uma definição oficial, de acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação de Lajeado e Região (Stial) Sérgio Fagundes. Segundo ele, as indústrias já estavam cumprindo um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que exigiu uma série medidas de segurança sanitária – medição de temperatura, banho na entrada dos estabelecimentos, uso de máscaras, luvas, óculos e álcool em gel.
No decorrer da semana, ambas as plantas receberam vistoria da inspetoria de saúde, entretanto, nem as empresas, e nem o Stial receberam um parecer. Pelas medidas já adotadas no TAC, representantes do sindicato imaginam que há um bom nível de segurança no ambiente de trabalho. A suspeita é de que possa ter ocorrido o contágio em aglomerações nas imediações ou no transporte, fora das indústrias. “O desespero é grande. As empresas terão dificuldades em arcar com as despesas se tiverem que paralisar por 15 dias. As famílias também estão preocupadas com os vencimentos. Se pararem, será necessário um esforço muito grande e haverá muitas perdas para todas as partes”, explica.
O presidente da Associação de Integrados Produtores de Ovos Férteis (Aiprofer) Vilson Backes, fornecedor de ovos para incubatórios da BRF, afirma que a classe ainda não foi informada da necessidade de ajustes. Segundo ele, a cadeia já sofre com a estiagem, que diminuiu alojamentos na terminação e uma paralisação no abate implicaria em recálculos no consumo de ração e realojamentos de lotes, resultando em perdas para todos os produtores em médio e longo prazo. Inclusive na própria granja que possui em Canudos, Linha 32, onde, em média, produz 5,5 milhões de ovos por ciclo de 11 meses e emprega 12 funcionários. “As consequências são inimagináveis. A decisão da justiça precisa ser criteriosa e consciente. Há maneiras de se continuar trabalhando protegendo vidas. O ambiente de trabalho, tende a ser mais seguro que o social, desde que seguidas normas. Mas se a atividade frigorífica é causadora, outras plantas também vão acabar sofrendo impactos”, dimensiona.


