A família do auxiliar de serviços da Girando Sol, Cristian Luís Matos dos Santos, 26 anos, morador do Centro de Arroio do Meio, está sentindo na pele os efeitos da contingência institucional em meio à pandemia. Em 16 de abril, ele foi diagnosticado com um tipo raro de câncer, o Sarcoma de Ewing, e não está conseguindo a liberação do auxílio doença no Instituto Nacional de Segurança Social (INSS).
No fim de março, sentiu dor no peito, falta de ar e cansaço. Buscou atendimento no Posto de Saúde, internou no Hospital São José, onde foi constatada a presença de água no corpo, no coração e no pulmão. Foi transferido para o Hospital Bruno Born, de Lajeado, onde passou por cirurgia e uma biópsia no coração, e ficou internado por 10 dias, sendo seis na UTI. Depois de realizar uma sequência de exames, no início de maio, recebeu o diagnóstico do câncer. Seu mundo desabou. Agora tem pela frente um ano e meio de quimioterapia e muitas incertezas financeiras.
Isso, porque com as atividades suspensas nas Escolas Comunitárias de Educação Infantil, sua esposa Graziela dos Santos, 39 anos, teve de parar de trabalhar para cuidar dos filhos – de dois e um ano – e agora não terá como retornar ao mercado de trabalho porque o marido precisa de acompanhante durante o tratamento.
A Liga Feminina de Combate ao Câncer e a secretaria de Saúde, dentro do possível, estão dando suporte necessário em algumas etapas do tratamento, e o Centro de Referência em Assistência Social (Cras) está liberando uma cesta básica por mês, que equivale a R$ 550, mas não basta. Além disso, Cristian toma uma medicação pesada, contra enjoo e dor. Mesmo que parte dos medicamentos seja disponibilizada na farmácia básica, seus gastos com remédios chegam a R$ 300 por mês.
A família mantém em atraso o pagamento aluguel, água e luz, e pretende pagar as dívidas assim que o auxílio doença for liberado, mas depende do INSS, que está trabalhando em contingência. “Os profissionais do INSS nos dizem que têm a mesma informação do que a gente, de que o pedido aguarda liberação do sistema, e antes disso não há o que fazer”, explica a esposa.
Como ele é natural de Vacaria e ela de Santo Ângelo, não contam com o suporte de familiares, apenas de alguns amigos e colegas de trabalho feitos em Arroio do Meio. A única irmã de Cristian que reside na região, também trata um câncer e não pode ajudar.
Para superar a situação a família dependerá da solidariedade da comunidade arroio-meense. A residência da família está situada na rua Presidente Castelo Branco, 500, e o telefone é 98030-5163.


