Em Linha Estefânia/Nova Bréscia, próximo à divisa com o município de Capitão, a casa comercial sob os cuidados de Armelindo Fachini, 71 anos, localizada na beira da estrada onde o asfalto está prestes a chegar, chama atenção. Na localidade residem várias famílias que têm na agricultura a principal, senão única, fonte de renda.
A cerca de um quilômetro do local, fica a Vila onde tem igreja, salão de festas e cemitério. A escola fechou e não há outro comércio na Estefânia. Todos quebraram, logo, Fachini, não tem concorrência.
Armelindo desafia os limites do próprio corpo, impostos pela Paralisia Infantil que lhe acometeu quando tinha apenas 1 ano e poucos meses… quando engatinhava e tentava dar os primeiros passos. Na época, diferente de hoje, não havia vacina ou, a famosa Gotinha, “se tivesse, talvez eu estaria caminhando”, disse num tom de explicação e não de lamentação.
Nascido na Linha Zanotelli, filho de Otávio Ângelo e Stela Fachini, vem de uma família numerosa, 11 filhos no total. Destes, dois já falecidos.
Frequentou a escola localizada na Picada Natal, e quando rapazote, decidido a trabalhar como sapateiro, foi para Travesseiro aprender o ofício com o renomado sapateiro Irno Biasibetti. Por três meses permaneceu na sapataria. Após o expediente, pousava na casa/armazém da família de Hélio Pretto, assim como seu primo que tocava uma pequena serraria em Travesseiro. Passados os três meses, retornou à casa paterna onde abriu a própria sapataria.
Haja serviço para tantos irmãos…
Por 1980, junto com os irmãos Pedro e Ernesto, construiu o comércio nas terras da família e enquanto os irmãos seguiam para a roça, permanecia no comércio e atendia os fregueses e quem vinha à sapataria, que funcionava no mesmo ambiente. Depois de uns anos, os irmãos adquiriram um caminhão e passaram a atuar com transporte de madeira, compra e venda da produção dos agricultores da localidade e arredores e puxavam fretes.
Desde então, há 45 anos, faça chuva ou sol, diariamente, as portas do comércio são abertas. Gêneros alimentícios e bar, itens variados como linguiça, farinha, chinelo, parafuso, cola plástica, corda, material escolar, tudo em pequena quantidade e pouca variedade, mas geralmente, o freguês encontra o que está precisando no momento, inclusive, conserto de calçados, afirmou o proprietário que já produziu mais de uma centena de chinelos e botas de couro.
O comércio só não abre no domingo à tarde, afinal, Fachini também precisa de uma folga. Reside praticamente ao lado do estabelecimento e em breve mudará para uma nova moradia, que está em fase final de construção. No domingo à tarde gosta de assistir um futebol, geralmente pela televisão, mas também vai conferir ao vivo, no gramado. Solteiro, dirige o próprio veículo que é adaptado à sua condição, possui cadeiras motorizadas, e assim circula pelas calçadas, entra em repartições públicas e comerciais e por conta própria vai a outros municípios quando necessário.
Fachini gosta de morar ali e está otimista, afinal, o asfalto está chegando próximo ao seu estabelecimento. Faltam menos de 1.600 metros para ligar os dois municípios, “a nuvem de poeira que levanta toda vez que um veículo passa, não permite ver dois metros à frente do nariz, vai ficar no passado. Portas e janelas, inclusive do próprio estabelecimento comercial, finalmente poderão ficar escancaradas para deixar a luz e o ar fresco entrar, vou poder ver os carros que passam na rua”, disse animado.
Tio do vereador Matheus Bettio Fachini, mantém em sociedade com o sobrinho, a casa de comércio e a empresa de transporte de madeiras, que já fomentou o comércio da produção agrícola dos produtores da localidade e arredores.
Ao conversar com Armelindo, é notável o seu grau de conhecimentos sobre assuntos variados. Administra o comércio na ponta do lápis, gosta de estar informado, televisão e rádio o conectam com o mundo. Acompanhar a leitura do jornal O Alto Taquari toda sexta-feira é uma forma de estar por dentro de tudo que acontece em Capitão, Arroio do Meio, Travesseiro, Marques de Souza e também notícias em âmbito nacional.
Armelindo é muito querido na comunidade, algo perceptível sempre que alguém entrava no estabelecimento enquanto conversávamos. Vivendo e trabalhando ali, tem a companhia diária do irmão Pedro, cunhada Maria, sobrinho Matheus e esposa Monique, pais da doce e pequena Letícia (quase completando dois aninhos) uma menina encantadora, muito apegada ao tio. “Várias vezes ao dia ela aparece por aqui, gosta de mexer nas mercadorias e correr pelo comércio, disse Armelindo, enquanto admirava Letícia no colo da cunhada Maria, avó de Letícia.


