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    Canetas emagrecedoras ganham popularidade e exigem atenção médica

    O Alto TaquariBy O Alto Taquari14 de fevereiro de 2026Nenhum comentário6 Mins Read
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    As chamadas “canetas emagrecedoras” se tornaram um dos assuntos mais comentados na área da saúde e estética nos últimos tempos. Desenvolvidas inicialmente para o tratamento do diabetes, essas medicações passaram a ser utilizadas também para perda de peso por causa de seu efeito no controle do apetite e da saciedade. Entre as marcas mais conhecidas estão Ozempic e Wegovy (semaglutida), Saxenda (liraglutida) e Mounjaro (tirzepatida), todas aplicadas por via subcutânea no abdômen, coxa ou parte superior do braço, em formato de caneta, o que facilita o uso domiciliar.
    No Brasil, estas canetas viraram assunto, impulsionado por relatos de celebridades e ampla divulgação nas redes sociais. A procura cresceu em vários momentos e, atualmente, os medicamentos estão em falta nas farmácias, afetando inclusive pacientes diabéticos que dependem destes materiais. Especialistas alertam que, apesar dos resultados expressivos, o uso deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico, já que existem efeitos colaterais, contraindicações e o risco de banalização de um tratamento que envolve questões sérias de saúde.
    Para a farmacêutica Bárbara Cristina Sott Hoffmeister, as canetas ganharam visibilidade e a procura tem sido intensa. “Muitas pessoas nos chamam no WhatsApp para fazer cotação de preço ou quando irão chegar novas unidades. Acho arriscado quem busca estas canetas sem nenhum tipo de acompanhamento médico. Nós comercializamos somente mediante prescrição médica. A procura maior na farmácia é pela Wegovy, Mounjaro e Ozempic. Algumas dessas canetas temos bastante dificuldade de conseguir para os pacientes pois estão em falta geral nas distribuidoras”, explica.
    A profissional comenta que esta medicação ainda é nova no mercado, está sob muitos estudos e segue em constante evolução. No ano passado, saiu dentro da Resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa (RDC) uma norma técnica de regulamentação específica para a comercialização da caneta, onde a venda pode ser feita somente por prescrição médica e precisa ficar retida na farmácia. “O preço de uma caneta emagrecedora varia de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil, mas o valor pode ser ainda mais alto dependendo da dose, país de origem, impostos. O que mais assusta é que chegou a um ponto em que a importação das canetas aqui no Brasil disparou de forma que supera o mercado de eletrônicos”, finaliza.

    AVALIAÇÃO MÉDICA

    Para a Dra. Daniela Todeschini, médica no Posto de Saúde do Centro e que atua em Medicina da Família e Comunidade, os cuidados devem ser redobrados e não se pode confiar em tudo o que se fala ou ouve na internet. É preciso acompanhamento profissional de médicos endocrinologistas, nutricionistas e cardiologistas. Para ela, estes medicamentos estão há alguns anos no mercado, mas a grande procura se deu atualmente por questões estéticas.
    “As canetas de diversos laboratórios, por exemplo, estão nas farmácias há mais de 10 anos. É muito importante que as pessoas não confundam a aplicação das canetas com a insulina. São hormônios diferentes. Insulina é medicamento tradicional aplicado por quem tem diabetes, as canetas também são utilizadas por pacientes com diabetes, mas possuem composições diferentes. Elas são muito procuradas pelas pessoas como alternativa de emagrecimento para melhorar o condicionamento físico. Também auxiliam na redução dos efeitos inflamatórios no corpo, na redução de edemas, dentre outras questões”, explica.
    Daniela reforça que é importante avaliar o histórico de saúde do paciente e destaca que existem alguns efeitos colaterais que a pessoa poderá vir a ter após a aplicação. “O Mounjaro por exemplo, atua de forma dupla pois possui dois hormônios. Aplicação é feita uma vez por semana e dura uma semana inteira. O paciente precisa estar atento para não desenvolver pedra na vesícula, dificuldades na função renal, problemas com a tireoide”, alerta.
    O Dr. Fernando Iorra, 31, médico endocrinologista que atualmente está no Reino Unido, onde desenvolve atividades de doutorado em Endocrinologia no Imperial College London e também faz parte do corpo clínico do Hospital São José, alerta para a composição do Mounjaro e os sinais da obesidade crônica. “Mounjaro é o nome comercial da Tirzepatida, uma medicação utilizada no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Ela imita a ação de dois hormônios produzidos pelo intestino após as refeições: GLP-1 e GIP. Essa combinação auxilia no controle da glicose e do apetite, reduzindo a fome e facilitando a perda de peso. A popularização dessas canetas está principalmente relacionada à alta eficácia. Perder peso é um desafio para boa parte das pessoas e, por muitos anos, as opções de tratamento foram limitadas. Essas medicações representam um avanço importante no manejo da obesidade. No entanto, é fundamental pontuar que o tratamento não deve ser visto como algo primariamente estético. A obesidade é uma doença crônica e aumenta o risco de diabetes, doenças cardiovasculares e até alguns tipos de câncer. Portanto, o controle do peso é, acima de tudo, um cuidado com a saúde”, explica.
    O endocrinologista também ressalta que no início do tratamento é preciso atenção aos efeitos colaterais mais comuns e mais simples. “Os mais comuns são gastrointestinais como náuseas, vômitos, constipação ou diarreia. Desde junho de 2025, devido ao aumento do uso inadequado e sem supervisão, a Anvisa passou a exigir prescrição médica para a compra dessas medicações. A avaliação médica é fundamental para confirmar a indicação, descartar contraindicações, ajustar as doses e acompanhar a evolução clínica com segurança”, alerta.
    Quando questionado sobre a existência de medicamentos fora do mercado tradicional, de origem duvidosa, o médico explica que existe um alto risco nesta prática. “Essa é uma preocupação crescente. O alto custo dessas medicações leva algumas pessoas a buscarem fornecedores alternativos, o que pode representar um risco sério à saúde. Em situações extremas, já foram identificadas canetas falsificadas contendo até insulina, o que pode causar hipoglicemia grave e risco de morte. A manipulação em larga escala também não é permitida e, por isso, apresentações manipuladas devem ser vistas com extrema cautela. A recomendação é adquirir esses medicamentos exclusivamente em farmácias confiáveis, que garantam procedência e condições adequadas de armazenamento”, finaliza.

    Principais canetas aprovadas pela Anvisa

    Wegovy (Semaglutida 2,4mg): Focada especificamente para o tratamento da obesidade, aplicada uma vez por semana.
    Ozempic (Semaglutida): Aprovada para diabetes tipo 2, mas amplamente utilizada “off-label” (fora da bula principal) para emagrecimento.
    Saxenda (Liraglutida): Aprovada para tratamento de obesidade, com aplicação diária.
    Mounjaro (Tirzepatida): Aprovada para controle de diabetes tipo 2 e obesidade/sobrepeso, com alta eficácia.
    Olire (Liraglutida): Fabricada pela brasileira EMS, é uma opção nacional focada no tratamento da obesidade.
    Poviztra (Semaglutida): Aprovada recentemente para obesidade e sobrepeso.
    Victoza (Liraglutida): Indicada para diabetes tipo 2.

    Farmacêutica Bárbara destaca que existem vários tipos no mercado, mas é preciso acompanhamento médico para adquirir
    Dr. Iorra é especialista em endocrinologia e destaca os riscos da existência de canetas emagrecedoras de origem duvidosa
    Dra. Daniela diz que a aplicação das canetas deve ser com responsabilidade, analisar local de compra, origem do fabricante, realizar exames em dia

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