Aos 66 anos, o corretor de seguros José Henrique de Jesus se prepara para um dos maiores desafios de sua trajetória esportiva: percorrer 50 quilômetros na UMCC – Ultra Maratona Caminhos de Caravaggio, que será realizada no dia 14 de março, em Farroupilha. A prova marcará a estreia do atleta em competições de ultramaratona, categoria que reúne corridas com distâncias superiores aos tradicionais 42 km da maratona.
Formado em Educação Física, Jesus tem o esporte como parte de sua vida desde a juventude. Já atuou no basquete e no futebol, modalidade na qual foi campeão regional pelo Rui Barbosa em 1994. Há nove anos, encontrou na corrida um novo propósito, intensificando gradualmente os treinos até atingir uma média semanal de 50 a 60 quilômetros, distribuídos em quatro a cinco sessões. Toda a preparação é acompanhada por uma equipe multidisciplinar, com o treinador Francisco Raione Junior, a personal trainer Bruna Rauber, a profissional de pilates Gabriela Hendges, a fisioterapeuta Jocine Bugs, a quiropraxista Amanda Gasparotto e nutricionista.
No início de fevereiro, o atleta participou da Maratona do Vinho, de Bento Gonçalves, com uma prova de 42 km que serviu como preparação para a ultramaratona. O maratonista conquistou o quarto lugar em sua faixa etária (65 a 69 anos), entre 12 inscritos, e destacou o bom desempenho físico. “Terminei a prova bem, sem nenhum desconforto”, afirmou.
Além do suporte profissional, o corredor ressalta a importância do apoio familiar. A esposa, Keiti, também corredora, acompanha de perto a rotina de treinos, enquanto filhos e suas famílias o incentivam diariamente. Para ele, o segredo para encarar longas distâncias está na constância. “É a consistência dos treinamentos aliada aos cuidados com alimentação e com o físico”, explica.
Apesar da rotina intensa de treinos e do reconhecimento dentro do meio esportivo, o atleta também enfrenta situações de preconceito, especialmente por parte de pessoas mais jovens. Durante alguns treinos em espaços públicos, Jesus relata já ter sido alvo de comentários ofensivos. Em um episódio recente, um grupo de jovens ironizava sua presença, afirmando em tom de piada: “titio vai morrer, titio vai passar mal”. Para ele, esse tipo de atitude revela não apenas falta de empatia, mas também desconhecimento sobre os limites e capacidades do corpo humano quando há preparo e acompanhamento profissional.
Sonho internacional e motivação
Sua trajetória, marcada por disciplina, longevidade esportiva e superação pessoal, serve como exemplo, inspiração e motivação, para pessoas de todas as idades. José Henrique acredita que sua história pode inspirar especialmente quem pensa que é “tarde demais” para começar. “O maior desafio não é a idade, é vencer o medo e a insegurança. Quando alguém vê que é possível aos 66 anos, talvez encontre coragem para dar o primeiro passo”, afirma. Ele também conta que nunca está sozinho. “Tem muita gente de Arroio do Meio que corre também, corremos juntos, eles me incentivam. Todo mundo se ajuda”, comenta.
Sem experiências internacionais até o momento, José Henrique já projeta novos sonhos após completar a ultramaratona. Entre eles, participar de uma prova fora do Brasil e, futuramente, encarar um desafio ainda maior: o triatlo. “A todas as pessoas que desejam correr, recomendo paciência, resiliência e dedicação. Não importa a velocidade ou a distância. Todos que correm são corredores”, conclui.




