A Quaresma iniciou na quarta-feira, dia 18. A Igreja Católica entrou em um dos períodos mais significativos do calendário litúrgico, marcado pela reflexão, penitência e preparação espiritual para a Páscoa. Em Arroio do Meio, o tema ganha destaque a partir da fala do pároco Alfonso Antoni, que explica o verdadeiro sentido deste tempo para os cristãos, convidando a comunidade a vivenciar a fé de forma mais profunda e consciente, ou seja, cada fiel é convidado a caminhar simbolicamente a Deus, sua Palavra e o amor ao próximo.
A Quarta-Feira de Cinzas abre o tempo quaresmal, e é um tempo litúrgico de quarenta dias que prepara o coração da Igreja para a celebração da Páscoa, o centro da fé cristã. Não se trata apenas de um período no calendário litúrgico, mas de um caminho espiritual no qual cada fiel é convidado a voltar ao essencial: Deus, sua Palavra e o amor ao próximo. De acordo com Antoni, este período convida aos cristãos em tempo de voltar seus olhos à sua vida pessoal, a sua conversão e à Sagrada Escritura. “Assim como Jesus passou 40 dias no deserto em oração e jejum (Mt 4,1-11), a Igreja caminha simbolicamente com Ele, aprendendo a escutar, a confiar e a vencer aquilo que nos afasta da vida plena em Deus”, explica.
O sacerdote explica o porquê do período estar datado em 40 dias, e acende o alerta para um tempo que deve ser de equilíbrio e desperta para a fragilidade humana. “O número quarenta, na Sagrada Escritura, está ligado a tempos de prova, preparação e renovação: quarenta dias e noites do dilúvio (Gn 7,12), quarenta anos do povo de Israel no deserto (Ex 16), quarenta dias de Jesus no deserto (Mt 4,1-11) … A Quaresma, portanto, é um tempo de travessia. Saímos do que somos para nos tornarmos, pela graça, aquilo que Deus sonha para nós. Ao recebermos as cinzas sobre a cabeça, a Igreja nos dirige palavras simples e profundas: “Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás” (Gn 3,19). Ambas nos colocam diante da verdade da nossa condição humana: somos frágeis, dependentes da graça e chamados a viver para aquilo que é eterno”, detalha.
Quando questionado sobre quais seriam os pilares que sustentam a Quaresma, o religioso explica que não se trata de práticas isoladas, mas uma tradição inspirada nos ensinamentos de Cristo no Sermão da Montanha e que os três pilares são expressões que educam para amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. “A oração é o primeiro passo, porque é nela que o cristão reconhece que não caminha sozinho. Rezar é aprender a escutar a Deus. O segundo pilar é o jejum, o mais incompreendido. Ele não como finalidade o sacrifício em si, mas a educação do desejo. Por fim o terceiro pilar, a caridade, ela dá forma concreta à conversão do ser humano”, finaliza.
PALAVRAS DO PAPA
O Papa Leão XIV em seu recente pronunciamento nas saudações na audiência geral de quarta-feira, dia 18, exorta a viver este tempo forte rezando e pedindo aos fiéis a conversão. “Todo o caminho de conversão começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito. Existe, portanto, um vínculo entre o dom da Palavra de Deus, a hospitalidade que lhe oferecemos e a transformação que ela realiza. Por isso, o itinerário quaresmal torna-se uma ocasião propícia para dar ouvidos à voz do Senhor e renovar a decisão de seguir Cristo, percorrendo com Ele o caminho que sobe a Jerusalém, onde se realiza o mistério da sua paixão, morte e ressurreição. Este ano gostaria de chamar a atenção, em primeiro lugar, para a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro”, conclui.


