O futuro da área de arraste do rio Taquari, especialmente no bairro Navegantes e regiões adjacentes, foi tema da reunião comunitária realizada na terça-feira, dia 10, na Associação Comercial, Industrial e Serviços de Arroio do Meio (Acisam). Moradores, lideranças e representantes do poder público discutiram possibilidades de revitalização e uso para o local, que foi fortemente impactado pelos desastres climáticos de 2023 e 2024.
O prefeito Sidnei Eckert reforçou que a prioridade do município segue sendo garantir moradia às famílias que perderam suas casas. Contudo, também é preciso começar a planejar o futuro dessas áreas por meio da participação da comunidade. Neste sentido, foi apresentado pelas engenheiras ambientais Tanara Schmidt, assessora técnica e Leucádia Telöken Korb, coordenadora do Departamento do Meio Ambiente, um projeto conceitual preliminar que propõe a criação de um Parque Ecológico Multifuncional na área de arraste.
Foram apresentadas as primeiras diretrizes da proposta que busca transformar o espaço em um ambiente de convivência, lazer, memória e contato com a natureza, contribuindo ao mesmo tempo com a recuperação ambiental e a adaptação do território. O projeto está estruturado a partir de Soluções Baseadas na Natureza (SbN), priorizando estratégias como recuperação da vegetação nativa, áreas permeáveis e espaços capazes de absorver e acomodar variações do nível do rio.
A comunidade, por sua vez, participou do momento sugerindo ideias para o aproveitamento do local. Integrante do grupo Pró-Arroio do Meio, Liselena Bersch Neumann, apresentou algumas ideias para a utilização do espaço como área para caminhada; área para corrida/treinos; área para contemplação; praça com brinquedos; área para food truck; plantio de árvores; manter e transformar o prédio da Escola Infantil Atalaia em ponto turístico da resiliência, assim como a reforma da igreja, se transformando em um ponto turístico da fé do povo; área de esportes, entre outras.
Morador e empresário do bairro Navegantes, Diego Simonetti, ressalta que muitas das ideias sugeridas estão “instaladas” em áreas particulares. Neste sentido, sugeriu chamar os proprietários das áreas e conversar de forma individual sobre a forma de utilização destes espaços. “Percebo que há uma destonalidade da realidade da comunidade. A nossa angústia é que sim, estamos cientes de que no local será feita uma área verde, mas vamos resolver primeiro o que vai ser feito com os terrenos particulares”.
Proprietário da Casa do Peixe, Darcísio Schneider (Picolé), enfatizou a importância da limpeza dos escombros, pois a região está infestada de pragas e insetos, o que pode causar danos à saúde pública. “O balneário por exemplo, a parte positiva é que esta parte já está limpa, mas por outro lado, esse local já deveria ter um projeto, pois se esperarmos até que ele seja executado, a vegetação vai tomar conta do espaço de novo. O ideal seria apresentar um projeto e, a partir disso, debater com a população sobre o que pode ou não ser melhorado”.
Em sua contribuição, o vereador Roque Haas (Rocha) afirmou que quem deve decidir o que deve ou não ser feito nestes locais são os próprios moradores, pois eles conhecem a realidade do bairro. “Nós vamos investir muito dinheiro neste projeto e esse montante pode ir embora com a primeira enchente. Na minha opinião são esses moradores que deveriam opinar, de fato, sobre o que é viável e que poderia ser feito”.
Quem também participou da reunião foi o promotor de Justiça, Sérgio Diefenbach, que falou sobre os desafios envolvidos na definição e destinação dessas áreas, ressaltando a importância do diálogo entre poder público, instituições e comunidade para a construção de soluções seguras e sustentáveis. “Me impressiono com a maneira educada, racional e madura com que este problema vem sendo tratado. Como representante do Ministério Público, posso afirmar com certeza que não ficamos um dia sequer sem provocar os responsáveis para que tudo se resolva o quanto antes. Apesar de tudo, vejo sim a possibilidade de transformar positivamente Arroio do Meio, mesmo que com dor”.



