A falta de combustível já é registrada em Arroio do Meio e região. Com receio da situação se agravar, filas de veículos se formaram desde a noite de terça-feira para abastecer nos principais postos de combustíveis do município, alguns já limitando o comércio de combustível a R$ 50 ou R$ 100 por veículo. Até o fechamento da edição, a redação entrou em contato com os principais postos da cidade que operam nas bandeiras Shell, Charrua, Flex e Ipiranga para saber como está a situação.
Todos concordaram que não haverá um desabastecimento total dos postos. O que ocorreu foi uma redução na entrega do produto solicitado. De acordo com Cristian Rosa, gerente do posto Nativus que atende pela bandeira Charrua, a marca é uma das que mais sofreu com esta crise de combustíveis, pois a distribuidora não encaminha a litragem total solicitada, mas parcial. “Hoje estamos com a gasolina comum a R$ 6,29, no aplicativo está em R$ 6,19. Já o Diesel está em R$ 6,75 e não temos mais gasolina aditivada. Estamos limitando a R$ 100 por cliente. Havíamos solicitado 10 mil litros e só chegaram 3 mil. O momento é incerto, as distribuidoras também estão fracionando”, explica descontente.
Já para o gerente Fábio Ziem, do posto Flex, localizado às margens da ERS-130, no bairro Dom Pedro II, por enquanto não foi registrada falta do produto. Um novo caminhão com combustível para abastecimento já chegou e o fluxo de veículos está normalizado. “Não temos mais formação de fila. Penso que foi o calor do momento e o medo dos postos ficarem desabastecidos. Estamos atentos à oscilação de preços. Aqui cobramos R$ 6,29 tanto a comum como a aditivada, e o diesel estamos cobrando R$ 7,59. Por enquanto temos gasolina para atender aos clientes”, comenta.
IMPACTO NO VALE E NO MUNDO
Os possíveis impactos do conflito bélico no Oriente Médio, envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã — este último considerado uma das principais potências mundiais na exportação de petróleo, já começam a ser sentidos na região. O aumento no preço do combustível gera preocupação entre consumidores e empresários do setor. Além do impacto direto no bolso da população, cresce também o receio de possíveis problemas no abastecimento, impulsionados pelas tensões no Oriente. A instabilidade refletida no aumento do diesel e da gasolina amplia a preocupação de consumidores e transportadores que temem novos reajustes e até dificuldades de abastecimento, impactando nas cadeias de produção.
De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Rio Grande do Sul (Sulpetro), João Carlos Dal’Aqua, não há desabastecimento generalizado no Estado. Ele afirma que no momento é preciso monitorar com calma, prudência, para que se consiga ter um cenário mais claro. “Está todo mundo acompanhando as alterações que estão acontecendo no mercado. O que nós temos é uma restrição, porque as distribuidoras estão paulatinamente vendendo, não estão desovando seus estoques com tanta velocidade, porque elas também estão inseguras com o que vai ser a precificação final. A Petrobras tem que sinalizar se vai corrigir preço ou não, ou vai ofertar mais produtos. As distribuidoras já estão passando preços novos aos postos, mas cada um com sua realidade, ou seja, não sei quanto nem quando que elas estão repassando. Desta forma, postos que tem contrato estão recebendo e os postos que não tem ficam no final da fila”, explica. O presidente da Sulpetro acrescenta, “no momento, vivemos uma situação diferente, com um aumento de quase 50% no preço do barril, o que vai gerar reflexos na economia”, finaliza.



