Com a chegada do outono, que começou oficialmente no dia 20 de março, aumentam também os cuidados necessários com a saúde, especialmente entre a população idosa. A mudança de estação traz queda gradual das temperaturas e favorece a circulação de vírus respiratórios, comuns nessa época do ano. Em entrevista ao jornal O Alto Taquari, a médica Daniela Todeschini fala sobre os principais cuidados que devem ser adotados para prevenir doenças e manter o bem-estar durante o período.
Jornal O Alto Taquari – Com a chegada do outono, o que muda no organismo das pessoas, especialmente dos idosos, e por que essa época exige mais atenção com a saúde?
Dra. Daniela Todeschini – Em geral, com a mudança de estação, temos, em função das mudanças externas, como a temperatura, a chegada de novos vírus. Geralmente esses vírus chegam justamente nas mudanças de estação e acabam se espalhando mais porque as pessoas tendem a se aglomerar e a permanecer em ambientes mais fechados nos períodos de frio.
AT – Quais são os problemas de saúde mais comuns durante o outono, principalmente em relação às doenças respiratórias?
Dra. Daniela – No outono, principalmente, acontecem situações gripais, com vírus de gripe e resfriados. Isso ocorre porque, nos períodos mais frios, as pessoas acabam se aglomerando mais e mantendo os ambientes fechados, o que facilita a circulação desses vírus.
AT – Que cuidados os idosos devem ter nessa época do ano para manter a saúde, como em relação à hidratação, alimentação e rotina diária?
Dra. Daniela – Os cuidados devem ser principalmente em relação às aglomerações. É importante evitar lugares muito fechados e o contato com pessoas que estejam apresentando sintomas de infecções respiratórias altas, como tosse, coriza ou alguma dificuldade respiratória. Em situações em que o contato é necessário, como com familiares, o uso de máscara é indicado. Em ambientes com maior concentração de pessoas doentes, como postos de saúde ou locais muito fechados, o hábito do uso de máscara também ajuda na proteção contra infecções respiratórias.
Outro ponto importante é a ingestão de líquidos. Ela é fundamental em qualquer estação do ano, mas no frio pode se tornar mais difícil porque sentimos menos sede. A sede, na verdade, já é um sinal de alerta de que o organismo está com reserva de líquido reduzida. Por isso, é importante ingerir líquidos, principalmente água, mesmo sem sede. O ideal é criar uma rotina de ingestão, em torno de dois litros por dia, salvo exceções de pessoas que tenham orientação médica diferente, como casos de insuficiência cardíaca ou tendência maior a inchaço.
AT – A prática de atividades físicas deve sofrer alguma adaptação com a queda das temperaturas? O que é recomendado para os idosos?
Dra. Daniela – A atividade física deve ser mantida de rotina, mas é importante evitar os picos mais frios do dia. O ideal é praticar exercícios por volta das 10h da manhã ou em torno das 16h. Também é importante manter os cuidados com a proteção contra os raios solares, mesmo nessa época do ano.
O exercício físico no frio intenso pode provocar uma desregulação do sistema de proteção respiratória e também exigir um esforço cardíaco maior, porque ocorre vasoconstrição em função do frio. Por isso, a recomendação é evitar exercícios muito cedo pela manhã ou no final da tarde, quando as temperaturas costumam ser mais baixas.
AT – A vacinação contra a gripe é importante nesse período? Em que situações o idoso deve procurar atendimento médico?
Dra. Daniela – A vacina da gripe é fundamental para a prevenção de novos surtos. Às vezes as pessoas dizem que fizeram a vacina e mesmo assim tiveram gripe, mas a vacina protege contra o maior grupo de vírus possíveis. Alguns podem escapar, mas tendem a ser menos agressivos. Ter gripe estando vacinado costuma ser bem menos agressivo do que ter gripe sem vacina.
O vírus da gripe é extremamente agressivo, e a vacina ajuda a proteger contra essa agressividade e contra os vírus que já circularam no nosso meio. Em relação à procura por atendimento médico, idosos com febre devem procurar avaliação, pois a febre pode ser sinal de complicação. Sintomas gripais que persistem, como tosse persistente, dor no peito, falta de ar ou dificuldade respiratória, também são motivos para buscar atendimento médico.



