Com 30 anos de história completados em 2026, a Júlia Calçados segue atuando no mercado mesmo diante de um cenário desafiador para a indústria brasileira. Fundada em 1996, a empresa produz botas femininas de cano curto e longo, calçados masculinos e alguns modelos de sandálias no verão.
À frente da empresa está o proprietário e diretor Paulo Weizenmann, que acumula mais de 40 anos de experiência no setor calçadista. Atualmente, a indústria possui 150 funcionários, sendo 57 na unidade de Capitão, voltada à costura, e outros 93 em Arroio do Meio, onde está localizada a fábrica principal.
Segundo Paulo, o perfil conservador da empresa foi essencial para atravessar períodos de instabilidade econômica. “Só vou até onde as pernas alcançam”, resume.
Hoje, cerca de 70% da produção da Júlia Calçados é destinada à exportação, principalmente para Chile, Argentina e Inglaterra. Porém, a oscilação cambial vem impactando diretamente a competitividade da indústria.
“O dólar estava na faixa de R$ 5,40 e R$ 5,50 e agora caiu abaixo de R$ 5. Isso impacta mais de 10% no faturamento das exportações”, explica. A empresa também exportava cerca de 10% da produção para os Estados Unidos, mas as negociações foram interrompidas após as taxações impostas pelo governo de Donald Trump em julho de 2025. “Estamos tentando retomar negócios com os Estados Unidos, mas está difícil”, relata.
Outro ponto de preocupação é a reoneração gradual da folha de pagamento. “Hoje já temos um custo de cerca de 10% a mais por funcionário e isso vai aumentar nos próximos anos”, afirma.
No mercado interno, a inadimplência também preocupa. Segundo levantamento da CNC, 80,9% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida e a inadimplência chega a 29,7%. Na Júlia Calçados, a inadimplência superou 10% no ano passado e a projeção é de aumento em 2026.
Mesmo investindo em tecnologia, Paulo explica que o setor ainda depende de muitos processos manuais, principalmente no trabalho com couro. “O investimento precisa se pagar e o mercado hoje não responde para grandes aportes”, destaca.
Na avaliação do empresário, o cenário político e econômico influencia diretamente o comportamento do mercado. “Em período pré-eleitoral existe muita incerteza. A expectativa é de que, após as eleições, o mercado encontre mais equilíbrio”, projeta.
Além da fábrica, a Júlia Calçados mantém loja junto à empresa, na ERS-130, km 79, bairro Dom Pedro II, em Arroio do Meio, oferecendo botas femininas e calçados masculinos a preço de fábrica.


