Cerca de 300 alunos, além de professores, ex-professores e pais, devem participar de um protesto agendado para 4 de maio, no turno da manhã, em frente à Escola Estadual de Ensino Médio Guararapes, para denunciar a demora na reconstrução do educandário. A mobilização surge após dois anos da enchente de 2024 que atingiu a escola, sem que as obras tenham avançado de forma significativa. A manifestação terá caráter simbólico. Os participantes devem se sentar em frente à escola e pronunciar algumas frases de impacto por aproximadamente uma hora. A ação busca representar a paralisação das obras e o sentimento de abandono enfrentado pela comunidade escolar. Autoridades municipais também serão convidadas a acompanhar o ato.
De acordo com a diretora Valquíria Dienstmann, a situação tem gerado indignação e desmotivação crescente entre professores e alunos. Apesar de as aulas estarem ocorrendo normalmente, a estrutura precária impõe dificuldades diárias. “Estamos pedindo que olhem para o Guararapes. Parece que ficamos esquecidos. É muito difícil entrar e sair todos os dias por um portão minúsculo, sem segurança para professores, funcionários e alunos”, relatou.
Entre as principais reivindicações estão a reconstrução urgente do portão principal e do muro da escola, retirada dos tapumes que frequentemente apresentam riscos, pintura da escola, dentre outras ações de caráter reconstrutivo. A diretora destaca que a atual estrutura compromete não apenas a segurança, mas também o ambiente escolar, considerado desolador por quem convive no local, em meio a tijolos, madeiras e paredes danificadas. Outro problema apontado é a baixa qualidade de serviços já executados. Estruturas instaladas anteriormente, como aberturas fornecidas por empresa terceirizada, apresentam falhas e precisam ser substituídas, o que aumenta os custos e prolonga ainda mais a situação de precariedade.
Enquanto a obra principal não avança, a escola tem recorrido a medidas paliativas por conta própria com o que restou dos recursos do ‘Programa Agiliza’. “Foram realizadas pequenas melhorias em setores administrativos como secretaria, monitoria e direção, além de intervenções no pátio interno, com reparos em rebocos, degraus e instalação de bancos. Também foi construída uma quadra de areia para atividades esportivas e iniciado o processo de ajardinamento. No entanto, grande parte da estrutura segue inacessível, especialmente o pátio frontal que está abandonado”, conta desmotivada.
FALTA DE RESPOSTAS DAS AUTORIDADES – A falta de respostas por parte dos responsáveis pelos recursos destinados à obra também preocupa. Segundo a direção, tentativas frequentes de contato não têm retorno nenhum. “Tentamos contato semanal com os responsáveis da empresa que anunciou o recurso e que abraçaria as obras da escola, mas infelizmente não temos nenhuma atualização. A 3ª Coordenadoria Regional de Educação também está com dificuldades para contatar a empresa”, afirma.
Diante do cenário, a comunidade escolar espera que o protesto chame a atenção das autoridades e resulte em ações concretas. Enquanto isso, alunos e professores seguem convivendo com uma realidade improvisada, aguardando por uma solução que, até agora, pouco saiu do papel.
RELEMBRE O CASO – A escola foi atingida pela catástrofe climática de maio de 2024. O primeiro anúncio de reconstrução ocorreu em 7 de abril de 2025 pela secretária de Obras Públicas do Rio Grande do Sul, Izabel Matte. Em visita à escola, anunciou que a previsão de conclusão era de 14 meses, ou seja, estar concluído em junho de 2026. No dia 27 de janeiro, no espaço do Instituto Caldeira, em Porto Alegre, na presença de líderes da MBRF e representantes do Estado, foi anunciado um investimento de R$ 1,5 milhão que a empresa faria para a reconstrução do educandário.


