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    Memória viva do Cine Teatro Real: Érico Essig relembra a inauguração histórica de 1964

    O Alto TaquariBy O Alto Taquari18 de junho de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Érico com o filho Carlos. As netas Ana Clara e Alice também estiveram presentes no evento
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    Poucas pessoas ainda podem dizer que testemunharam o nascimento de um dos mais importantes espaços culturais da história de Arroio do Meio. Érico Egônio Essig é um dos poucos arroio-meenses que foi testemunha ocular da inauguração do Cine Teatro Real, em 1º de fevereiro de 1964. A apresentação sobre a fundação do Cine ocorreu na última quinta-feira, dia 11, no sótão da Casa do Museu na presença de estudantes da Escola Guararapes e da Univates, do assessor de cultura Wanderley Theves (Xumby) e comunidade em geral. As lembranças daquele dia permanecem tão vívidas quanto às imagens que passaram pela tela do cinema ao longo das décadas. Natural do distrito de Travesseiro na época, Essig relembrou o período de ouro na cidade.
    Um dos sócios fundadores do empreendimento, o veterano recorda que a criação do cinema foi resultado da união de um grupo de moradores que acreditava na importância de oferecer entretenimento e cultura para a comunidade. Teve 151 sócios, empreendedores fortes da época. “Foi um projeto que deu muito certo. Primeiro era para se chamar Cine Alvorada, mas como Lajeado inaugurou antes, chamamos o nosso espaço de Cine Teatro Real”, resume. A inauguração reuniu autoridades como o prefeito Arnesto Dalpian, vice Antonino Fornari e um grande público, marcando um momento histórico para o município. O espaço era grande e foi projetado para acomodar 650 pessoas.
    Seu Érico também recordou sobre os primeiros tempos da sétima arte na cidade, quando os filmes ainda eram mudos. Naquela época, no início dos anos 1900, em um antigo hotel que havia onde hoje está o prédio em desuso do Banco do Brasil, uma banda local era responsável por executar a trilha sonora ao vivo durante as exibições, proporcionando uma experiência única ao público. Mas a magia do cinema começava muito antes das luzes se apagarem.
    Segundo ele, os filmes chegavam a Arroio do Meio por barco, vindos de Lajeado ou Encantado. Os rolos eram transportados em caixas redondas, cuidadosamente lacradas para proteger o delicado material cinematográfico. “Alguns amigos ficavam esperando na beira do rio para transportar os rolos de filme até o Cine. E era movimentado, com sessões nas quartas, sextas, sábados e domingos”, lembra. O transporte de barco era na época em que o Cine estava sendo apresentado nas dependências do Clube Esportivo Arroio do Meio, em 1914, que ficava onde se instalaram mais tarde a Fábrica de Balas e Chocolates Wallerius Ltda e a Girando Sol. A inauguração do Cine no seu prédio próprio foi onde hoje está instalada a loja A Mobília. Com a chegada da BR-386, os filmes chegavam de ônibus de Porto Alegre.
    As dificuldades também fizeram parte da história na distribuição cinematográfica. Durante a Segunda Guerra Mundial, Essig explica que muitas produções em língua alemã ou relacionadas ao conflito deixaram de circular, limitando a oferta de filmes. Com a evolução da tecnologia, chegaram os filmes falados e uma série de clássicos que marcaram gerações. Obras estreladas por Charlie Chaplin e Marilyn Monroe, além de títulos consagrados como “O Iluminado”, “…E o Vento Levou”, “Spartacus”, “Os dez mandamentos” e produções infantis da Disney, atraíam espectadores de todas as idades para o Cine Teatro Real. O ambiente era complementado pela venda de refrigerantes e chocolates, transformando cada sessão em um verdadeiro evento social.
    Após a inauguração, o desafio era o alto custo das obras cinematográficas. Para contornar o problema, os exibidores recorriam a um sistema de troca conhecido popularmente como “cambalacho”, onde cinemas de cidades vizinhas como Lajeado e Encantado, emprestavam filmes entre si.
    Mais de seis décadas depois da inauguração, seu Érico afirma sentir-se privilegiado por ter vivido uma das fases mais marcantes da cultura local. “Sou grato pelo que vivi e presenciei neste cinema. Foi um tempo bonito de dedicação a este espaço seja na bilheteria, na recepção das pessoas ou na relação com os colegas”, afirma. O prédio que por tantos anos exibiu filmes acabou assumindo uma nova função em 1991, transformando-se em palco para apresentações teatrais, palestras e eventos culturais, recebendo artistas gaúchos e nacionais. O prédio foi comercializado para um empreendedor e posteriormente locado para a Mobília Imóveis em 2010, chegando ao fim o reinado da sétima arte em Arroio do Meio.
    Ao revisitar essas memórias, o arroio-meense ajuda a preservar um capítulo importante da história da cidade, lembrando que, muito antes das plataformas digitais e das telas individuais, ou do universo do streaming, o cinema era um lugar de encontro, convivência e encantamento coletivo, visto que muitas amizades aconteciam por lá e muitos casais se formavam.

    FONTE DE PESQUISA

    Um projeto de pesquisa foi desenvolvido pelos acadêmicos dos cursos de Publicidade e Propaganda, Design e Jornalismo da Universidade do Vale do Taquari – Univates. O trabalho acadêmico uniu pesquisa, produção audiovisual, edição de materiais e construção de conteúdo para contar e valorizar a história do saudoso Cine Teatro Real. Este trabalho foi desenvolvido no componente curricular ESC – Estudos da Sociedade Contemporânea, sob orientação dos professores acadêmicos Marcos Staudt e Flávio Meurer. A proposta nasceu da intenção de resgatar parte da história e da memória cultural de Arroio do Meio por meio da trajetória do antigo Cine Clube, um espaço que marcou gerações e fez parte da vida de muitos moradores da cidade.

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