
Assistir a Messi e sua incrível capacidade de organização tática, somada à pontaria certeira na hora do gol, faz valer meu tempo no sofá. Troquei as séries pelo futebol e não me arrependo.
Minha estreia como jornalista esportivo foi na Copa do Mundo da Argentina, em 1978. O ambiente era tenso. Apesar da presença dos grandes craques, o país vizinho vivia uma violenta ditadura civil-militar. Eu, barbudo, fui parado nas ruas pelo menos duas vezes. As barbas eram uma espécie de código informal entre integrantes dos movimentos de oposição. Hoje o clima é outro. E o craque argentino, com seu jeito de bom menino e pés de artista, torna tudo muito mais agradável para quem aprecia o futebol.
Nos dias atuais, já na condição de torcedor e não mais de cronista esportivo, gostaria que, especialmente, o “menino” Neymar estivesse plenamente recuperado da lesão na panturrilha direita. E que o experiente Carlo Ancelotti conseguisse orientá-lo para além das estratégias táticas, ajudando-o a encontrar um melhor equilíbrio entre seu futebol vistoso e um pouco mais de juízo na cabeça. Isso poderá ser fundamental nas fases de mata-mata.
Brasil e Haiti se enfrentaram três vezes na história. A última delas ocorreu na Copa América de 2016, quando a Seleção aplicou um sonoro 7 a 1 nos haitianos, que encerraram a competição sem pontuar. Passado todo esse tempo, o goleiro Johnny Placide e o atacante Duckens Nazon terão a oportunidade de reescrever essa história no reencontro com o Brasil pela segunda rodada do Grupo C.
Apesar daquela goleada, a Seleção atravessava uma crise e acabou eliminada ainda na fase de grupos. Por isso, desta vez, a responsabilidade vai além da vitória. Precisamos de um futebol convincente. Algo que justifique as pipocas, o vinho e o fogo da lareira que estou planejando para a partida.
O resto a gente resolve depois. Afinal, este também é um ano de eleições.

