Entre tantas “manias de velho” que cultivo, uma delas nesta época de fim de um ano e chegada de outro, é usar uma grossa agenda de papel para anotar todos os compromissos, contas a pagar – que ocupam o maior espaço – e minhas principais atividades ao longo do ano que recém se inicia.
A parte mais prazerosa, sem dúvida, é a transferência da agenda antiga para a “zero quilômetro” do aniversário dos amigos, colegas, parentes queridos e velhos conhecidos. A cada anotação uma espécie de filme passa pela minha cabeça, reacendendo episódios inesquecíveis, momentos de grandes alegrias, histórias que ficarão para sempre no coração e lamentavelmente o desaparecimento de pessoas importantes.
Houve tempo em que pedia para os filhos realizarem o que eu considerava uma penosa tarefa. Transferir um monte de anotações de uma agenda para outra parecia “um saco”, mas com o passar do tempo compreendi que se tratava de uma espécie de retrospectiva dos meus 52 anos de vida.
À medida que envelheço lembro saudoso do grande contingente de afetos que ficaram pelo caminho ao longo da trajetória. Na vida escolar forjei amigos fiéis de traquinagens que hoje mais parecem babaquices. Na adolescência colecionei namoros fugazes – à exceção do primeiro que quase decretou minha morte por amor! -, cometi pequenos delitos perdoáveis (e hoje ingênuos), descobri prazeres novos e constatei que, dali pra frente, a vida será mais dura, séria e comprometedora.
Preencher a agenda do Ano Novo é uma retrospectiva da minha vida
A vida profissional fortaleceu minha disciplina, a certeza da necessidade de dedicação, de zelo e dos compromissos típicos da fase adulta. Colegas, verdadeiros parceiros, aumentaram a galeria de pessoas especiais que ficaram em minha lembrança com carinho especial.
Assim como o crescente interesse em elaborar a árvore genealógica da minha família, cresceu – à medida que envelheci – a necessidade de recuperar a figura destes personagens diferenciados que integram o mosaico da minha personalidade.
Meus filhos, que frequentaram dois colégios e hoje cursam a faculdade, costumam recordar colegas com quem dividiram os bancos escolares nos primeiros anos do Ensino Fundamental. O nome do curso mudou. Se chamava Primeiro Grau, mas as recordações plasmadas na hora do recreio, nas excursões, nas divertidas aulas de Educação Física ou nas brincadeiras com bixiguinhas de água e ovos no final de ano não mudaram e serão lembradas para sempre.
Cada personagem foi importante. E preencher a agenda do Ano Novo passou a ser um divertido exercício de retrospectiva e balanço de vida!

