Arroio do Meio – O maior produtor de uvas do município, Jones Frighetto, 31 anos, morador da rua Alambique, Passo do Corvo, já está colhendo os primeiros cachos de uvas da safra 2016/2017. Se na temporada passada registrou uma queda drástica na colheita, agora as projeções são bem mais otimistas.
No ano passado a produtividade havia diminuído 65%, principalmente em decorrência da instabilidade climática – calor atípico no inverno, chuva em excesso no fim da primavera e início do verão. “Em caso de estiagem seria possível contornar os prejuízos com irrigação”, exemplifica.
Neste ano o inverno foi rigoroso, inclusive com geadas, importantes para a brotação das videiras, e a primavera teve temperatura amena e com exposição solar ideal. São fatores que contribuíram para um amadurecimento proporcional dos cachos, disposição de nutrientes e sabor mais adocicado. A estimativa é uma colheita superior a quatro toneladas.
A cotação da uva também está em alta. E a safra no RS deve ser direcionada para re-estabilizar os estoques de uva e vinho. Porém, Frighetto não vai reajustar o valor. “No ano passado os produtos foram comercializados para mais de 100 pessoas, entre vizinhos e clientes que apreciam produtos orgânicos. Faltaram uvas”, revela.
Ele produz as variedades Francesa, Francesa Precoce, Niágara Branca e Rosa para a venda in natura durante a colheita e disponibiliza vinhos branco e tinto bordô durante o ano inteiro. As videiras foram plantadas há cinco anos em uma área de aproximadamente meio hectare. A cultura se adaptou bem ao microclima local, por isso mais dois hectares foram plantados e devem estar produzindo daqui a dois anos.
O custo de implantação gira em torno de R$ 30 mil o hectare, considerando análise de solo, mudas, enxerto, estrutura do parreiral e insumos. “Os resultados dependem de manejo, assim como qualquer outro cultivo. E não há como barrar a ação de abelhas e passarinhos. É preciso plantar a mais. Não aplicamos defensivos porque é para o consumo humano”, explica.
Frighetto é natural de Dois Lajeados, onde seus pais possuem uma propriedade de 11,5 hectares, e são integrados à Vinícola Salton. O jovem pedreiro, descendente de italianos, resolveu apostar no plantio de uvas na propriedade da família da esposa Joane, filha de Adélio Wathier, para incrementar a renda. As vantagens de se produzir na região baixa são o relevo que possibilita uso da agricultura mecanizada; calor que proporciona frutos mais doces e a colheita na entressafra, aproveitando a melhor cotação.


