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    EDVINO CLASS: há sete décadas vivendo e pensando em Marques de Souza

    O Alto TaquariBy O Alto Taquari25 de janeiro de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Aos 93 anos, Edvino segue com energia e iniciativa e aprecia de forma pontual uma leitura informativa
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    O município de Marques de Souza completou 30 anos há alguns dias, e hoje vou falar de um ilustre morador, Edvino Class, 93 anos, que continua se dedicando ao crescimento deste município onde reside desde 23/02/1955, há quase 71 anos.
    Edvino nasceu no ano de 1932, em Rio Pequeno/Sta. Cruz do Sul, hoje Sinimbu.
    Cursou o Magistério, foi professor em Vale Verde e em 1955 mudou-se para Marques de Souza, onde lecionou na Escola Evangélica da Comunidade e também na rede municipal, na escola de Linha Atalho.
    Segundo ele, o salário de professor era desanimador, o que o motivou a aceitar a proposta de trabalho como vendedor da fábrica de máquinas de lavar roupas NIRVA, que existia ali. O salário já de início era mais que o dobro do que o salário de professor. A esposa Herta trabalhou como telefonista na subprefeitura do distrito por trinta anos o que exigia sua permanência diária no local. Numa época de telefonia discada, ramais, cabos… era preciso residir junto ao trabalho com isso, viviam num anexo junto a subprefeitura, que pertencia a Lajeado.
    Segundo Edvino, a BR-386 conhecida na época como “Estrada da Produção”, estava sendo construída e os cunhados possuíam um caminhão que puxava cascalhos e outros materiais para a execução da rodovia. Tornou-se motorista e logo, sócio da empresa de transportes, que além de puxar cascalhos e materiais para a construção da BR, transportava grãos e o adubo, que era entregue diretamente nas granjas.
    A empresa de transportes ia bem, tinham funcionários, o distrito se desenvolvia, a agricultura da mesma forma, tinham um bom hospital e a BR-386 passando ali, percebeu que ter uma licença de táxi, seria muito bom, embora já houvesse dois taxistas no distrito. O prefeito de Lajeado na época, Alípio Hüffner, atendeu o pedido de Edvino, em contrapartida pediu que Class se filiasse ao PP, ou seja, a política já na época, mostrava seu domínio, com o habitual toma lá, dá cá.
    Um tanto quanto triste relembrou outro episódio, o encerramento das atividades da empresa de transportes. Um dos motoristas envolveu-se em um acidente de trânsito, atingindo um veículo tripulado por cinco advogados. Não houve óbito, apenas danos físicos e materiais, prontamente assistidos. Em menos de três anos o capital da empresa (dois caminhões) foi reduzido a quase nada, custeando despesas médicas e principalmente processuais. “Fomos condenados, contestamos a decisão, pagamos em parcelas e ao final dissolvemos a firma”, disse Edvino que viu o patrimônio ser reduzido a SETE NOTAS DE MIL CRUZEIROS, “talvez, nos dias de hoje, tal valor servisse para comprar uma moto das bem simples”, disse, lembrando que eram dois caminhões muito bons.
    Os filhos André Luiz, Maristela Regina e Miguel Ângelo, e os cinco netos, são testemunhas de sua dedicação à comunidade. Residindo na mesma casa há 35 anos, hoje não conta mais com a companhia da esposa Herta, que faleceu há um ano, em 06/01/2025, aos 87 anos.
    Líder comunitário, foi personagem fundamental no processo emancipatório, integrou diretorias por décadas e hoje, aos 93 nos, é presidente do CONCEPRO, presidente da Sociedade Escolar e vice-presidente da Comunidade Evangélica.
    Visitei-o na semana do aniversário do município e não tenho dúvidas de que pouquíssimas pessoas com a mesma idade, tenham tamanha energia, iniciativa e apreciem de forma pontual uma leitura informativa.
    Acompanha diariamente as notícias do Congresso Nacional, com isso, geralmente vai dormir depois da meia-noite. Levanta às 5h, toma chimarrão e lê jornal. O sinal de rádio não é bom então acompanha a televisão. Computador, impressora, YouTube e celular estão sempre ao alcance da mão e já há muito tempo, toda sexta-feira vai até o consultório do dentista Carlos Alberto de Mari, para ler o Jornal O Alto Taquari, “algumas vezes levo para ler em casa, depois devolvo”.
    Entre tantos fatos relembrados, um em especial, curioso, chamou atenção. Edvino tinha uns 15 anos, na época fumar era algo glamouroso e de certa forma, quem não fumava “não era visto como homem”. Não querendo ficar pra trás, comprou uma carteira e foi pra casa fumando. Ao chegar escondeu a mesma que acabou sendo encontrada pela mãe e de imediato, entregue ao pai. Numa época de educação rígida e respeitosa, questionado, não teve como negar que o cigarro era seu. Apanhou tanto do pai que nunca mais colocou um cigarro na boca e é eternamente grato pela atitude. Economizou dinheiro, teve e tem qualidade de vida e não prejudicou as pessoas ao seu redor com o fedor da fumaça do cigarro. Quanto à fábrica de lavadoras de roupa NIRVA, Edvino mantém em uso a lavadora que adquiriu há mais de 60 anos e pretende doá-la ao Museu que será instalado pelo município.

    Por Neusa Alberton Bersch

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