Roswitha Kristina Wahler, 43, natural de Munique, na Alemanha, deixou seu enteado e seu marido no velho mundo e fez sua passagem por Arroio do Meio por quatro semanas. Durante o período, se hospedou na casa de sua amiga Raquel Rockenbach, no distrito de Forqueta. Roswitha trabalha como advogada empresarial há 16 anos. Atualmente, é diretora do departamento jurídico de uma rede europeia de restaurantes e fast food chamada “Hans im Glück”. “Temos muito sucesso no ramo de hambúrgueres na Alemanha, Áustria, Suíça e Holanda. Estamos planejando novas expansões”, explica.
Nas semanas que conheceu nosso município, conta que se sentiu muito acolhida pela família de Forqueta. “Raquel e eu nos conhecemos há 23 anos, quando estudávamos em Recklinghausen, quando fez intercâmbio por intermédio da Univates. Ela veio várias vezes à Alemanha durante esse período e pudemos nos encontrar mais uma ou duas vezes. Em 2024, quando houve as terríveis enchentes no Rio Grande do Sul, entrei em contato com Raquel pelo Facebook para saber como estava. Voltamos a manter contato regularmente e ela me convidou para visitá-la”, explica.
Também conta que ficou muito impressionada em ver de perto tudo que se ouvia falar pela mídia durante a catástrofe. “Visitamos a Ponte de Ferro aqui na cidade e o memorial em Lajeado. Foi muito interessante para mim ver isso, pois Raquel sempre me enviou vídeos pelo WhatsApp quando a ponte ainda não existia e tudo estava destruído. Fiquei muito surpresa com o quanto foi grave. Estou totalmente encantada com a natureza e as cores verdes exuberantes das árvores e dos prados. Eu esperava que, devido ao calor, tudo estivesse marrom e queimado. Essa vastidão e todo esse espaço para a natureza e os animais são inspiradores”, comenta.
Raquel levou Roswitha para provar o tradicional churrasco gaúcho na casa do irmão Márcio Rockenbach e para conhecer bons lugares do Vale do Taquari e do Brasil. Fizeram passagem pelo Cenário da Lagoa (onde ocorre a tradicional Via-Sacra) e Igreja de Pedra em Forqueta, Cristo Protetor em Encantado, Santa Cruz do Sul, cânions em Cambará do Sul, Gramado, Canela, Rio de Janeiro, Alagoas, dentre outros espaços turísticos.
Quando questionada sobre o que mais deixou impressionada, fala das desigualdades no Brasil e acha triste como alguns animais ainda estejam desamparados “Numa cidade como o Rio, por exemplo, dificilmente poderia deixar mais clara a diferença entre ricos e pobres. A coexistência entre consumo, luxo e abundância, por um lado, e pobreza, sofrimento e insatisfação, por outro. Minha impressão do Brasil é totalmente positiva, mas uma coisa que também me marcou, foi o sofrimento dos animais. Os muitos cães e gatos que vivem sem lar, que estão na rua. As galinhas que simplesmente correm livremente ao lado da rodovia. Os cavalos que precisam ficar amarrados sob o sol forte, sem água. Isso dói no meu coração. Na Alemanha, sou voluntária em uma organização de proteção aos animais, e, vendo esta evolução que já é visível (castração, doações para abrigos de animais, pontos de alimentação públicos e pessoas que cuidam deles), desejo que melhore ainda mais. Na minha próxima visita, gostaria de ver uma evolução positiva neste sentido”, afirma.
Em visita à redação do jornal O Alto Taquari, a advogada ressalta o acolhimento de todos. “. Este país tem tanta diversidade a oferecer. Vou levar essas impressões comigo e contá-las para todo mundo. Já vi muitas coisas pelo mundo e raramente me senti tão orgulhosa de ser alemã como no Brasil. Se me perguntassem o que eu gostaria de levar para casa, seria as sorveterias de “Açaí”, com sua grande variedade e a possibilidade de montar seu próprio prato, também quero levar a loja dos chinelos “Havaianas”. Infelizmente, não temos uma variedade tão grande na Alemanha. A Raquel e sua família cuidam tão bem de mim que me sinto bem e confortável. Receber tanta hospitalidade e cordialidade é indescritível. Espero poder retribuir isso um dia, quando puder receber os Rockenbach novamente no meu país”, finaliza.



