
Entre tantos segmentos fortemente impactados pelas transformações tecnológicas, um dos destaques é a fotografia. A onipresença do celular popularizou a prática das chamadas selfies. Segundo a inteligência artificial, “selfie é um autorretrato fotográfico, geralmente tirado com a câmera frontal de um smartphone, onde a própria pessoa segura o aparelho e faz a foto. Popularizado pelas redes sociais, o termo deriva do in-glês self-portrait (autorretrato), sendo comum seu uso imediato e informal, muitas vezes compartilhando o momento em tempo”.
Sou do tempo em que fotografar era quase um luxo, pelo custo do equipamento e disponibilidade de materiais. Era uma prática reservada a momentos especiais como Natal, Ano Novo, aniversários e outras datas diferenciadas. Depois do registro, a tarefa era levar o filme fotográfico até uma loja especializada e aguardar dias para colocar a mão no tão esperado envelope com as cópias.
A expectativa era grande porque nem sempre o resultado final ,gravado no papel – em preto e branco e mais tarde colorido –, era o desejado. Proliferavam imagens de pessoas com “cabeças cortadas” ou “sem pés”. Outra rotina era comprar filmes com 36 poses que, muitas vezes, obrigavam o usuário a fotografar qualquer imagem para gastar toda a carga de fotos antes da revelação.
Poucas pessoas buscam fotos antigas.
E raras são eternizadas em porta-retratos
Na praia, era tradicional a foto de crianças montadas em pôneis ou burrinhos, tendo o mar ao fundo. Os monóculos faziam grande sucesso e ainda jazem em várias residências como lembranças de um tempo longínquo. Muitas vezes, a entrega era feita diretamente na residência dos compradores do serviço.
Quando visitava minha mãe, dona Gerti, o ritual de pós-almoço reservava a busca de duas caixas de camisa e uma de sapatos, repletas de fotos antigas. Este acervo era cuidadosamente guardado no fundo do guarda-roupas da casa. Era hábito, para identificar pessoas, datas e locais, apor estas informações no verso das imagens.
Manusear fotos antigas suscitava suspiros em minha mãe e belas recordações neste cronista. Pessoas queridas que já se foram, momentos especiais e datas marcantes da história da família e de amigos afloravam a cada imagem.
Hoje, o hábito de fotografar está em toda parte. Entre as manias está a postagem de imagens de comidas e refeições em geral. E toda a rotina de pessoas das mais variadas idades e extrato social se baseia no registro. Curiosamente, poucas vezes se vê as pessoas revendo fotos antigas. Poucas são eternizadas em porta-retratos. São os novos tempos.

