Ter a Carteira de Trabalho assinada aos 13 anos, era algo comum em décadas passadas. Neusa Maria Körbes, hoje com 55 anos, tem muitas lembranças dos seus 13 anos, com essa idade teve seu primeiro trabalho formal na Incomex Calçados, embora nos dois anos anteriores tenha trabalhado como babá em duas residências, ou seja: aos 11 anos já trabalhava para outras pessoas.
Neusa residia com os pais e outros quatro irmãos no bairro Navegantes e diariamente saía de casa por volta das 6h30min, percorria cerca de 2 km, passava pelo “Trevo da Morte”, como era conhecido na época o trevo da RS-130 entre o bairro Bela Vista e o Centro de Arroio do Meio, para chegar à indústria calçadista, que ficava no outro lado da cidade. No final do dia, voltava correndo para casa para cumprir outra jornada, era preciso estudar, queria estudar, seguia para o colégio cenecista – CNEC. Ali, formou-se no Curso de Contabilidade.
Para Neusa, trabalhar nunca foi um sacrifício, já não era mais uma criança, e tanto ela quanto os irmãos ao final do mês entregavam quando não todo, boa parte do salário aos pais. Com isso nunca faltou comida na mesa, certo conforto na humilde casa de madeira ou dinheiro para remédio na hora que fosse necessário, “o Posto de Saúde não distribuía remédios como hoje” lembrou.
Nos sete anos de Incomex, aprendeu muito sobre calçados, o que lhe rendeu nova oportunidade de crescimento profissional, desta vez junto a Malu Calçados, em Capitão, onde atuou como Chefe de Costura por quatro anos. Nesta época estava com 19 anos e casou-se com Alcindo Körbes. Ele abriu uma serraria em Capitão e mudaram para lá.
Quando o irmão Jair Ribeiro abriu seu escritório de advocacia em Arroio do Meio, sugeriu que ela abrisse um escritório Despachante, no mesmo endereço. Assim, por alguns anos, trabalharam lado a lado, se ajudando mutuamente.
Por volta do ano de 1997, Neusa e o marido Alcindo deram início a um novo ramo de atividade, na área do entretenimento. Assim surgiu o Pesque-pague de Arroio Grande, onde eram realizados torneios de pesca e campeonatos de futebol. A cada ano agregavam algo novo: área de camping, chalés para locação, restaurante, enfim, para chegar ao que é hoje, a caminhada foi longa e sempre repleta de muito trabalho. Cada atividade necessita de alguém olhando por ela então envolvia mais pessoas e ela é grata por sempre poder contar com a ajuda dos irmãos e cunhados. Atualmente, para atender a contento, 14 pessoas estão envolvidas no atendimento junto ao Centro de Lazer Arroio Grande.
Questionada sobre continuar trabalhando mesmo estando aposentada há mais de 10 anos, quando poderia ficar desfrutando do que conquistou ao lado do marido Alcindo, foi enfática: “para mim, estar trabalhando é como estar respirando, é automático, gosto do que faço, sempre aprendo algo novo, penso no que posso fazer amanhã, como melhorar o atendimento, sempre me preocupei em fazer bem feito, em cumprir horário, traçar metas e ainda vou precisar trabalhar muito para conseguir realizar tanta coisa”, disse.
Hoje, as responsabilidades são maiores, o empreendimento cresceu. “Os filhos, Bernardo, formado em Gastronomia, e Caetano cursando Ciências Contábeis, têm trazido ideias novas, coisas que a universidade e a vida lhes apresenta. Nós, como pais e empresários, estamos dando a oportunidade e percebemos que está dando certo”.
Quando o assunto é trabalho, Neusa acredita que os pais devem incentivar seus filhos desde cedo, trabalhar e estudar ao mesmo tempo, o que não faz mal a ninguém. Emprego tem de sobra e só não trabalha quem não quer, dar tudo de mão beijada pra tanta gente é um dos grandes motivos pelo qual tanta gente não quer mais trabalhar, ficam em casa de boa, ganhando auxílios, benefícios e bolsas que quem tem que pagar são justamente aqueles que estão trabalhando”, finalizou.


