No dia 2 de abril, quando se celebra o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, o debate sobre inclusão, diagnóstico precoce e qualidade de vida ganha ainda mais relevância. Em Arroio do Meio, iniciativas locais vêm se destacando ao transformar a realidade de crianças e famílias, mostrando que informação, acolhimento e capacitação são fundamentais nesse processo. Um exemplo é o Programa Laços, criado a partir da mobilização de mães atípicas e desenvolvido em parceria com o poder público, que aposta na formação de educadores e na identificação precoce de sinais do transtorno do espectro autista (TEA), fortalecendo uma rede de cuidado desde os primeiros anos de vida.
O Programa Laços nasceu a pedido de mães atípicas que vivem na pele a luta pela qualidade de vida e de atendimento para suas crianças. Conforme as coordenadoras da proposta, Raquel Rohenkohl e Márcia Almansa da Silva, a diretoria da Associação PROTEA, órgão atuante com quase uma década de atividade no município, buscou entre seu quadro de colaboradores, pessoas dispostas a realizar o sonho dessas famílias.
Elaborado pela neuropsicopedagoga Raquel Rohenkohl, professora da rede municipal, o projeto tem como executora a Administração Municipal, por meio das secretarias de Educação e Saúde, e visa formar educadores que atuam com crianças em idade de 4 meses a 6 anos. “O objetivo é acompanhar o desenvolvimento das crianças matriculadas na Educação Infantil de Arroio do Meio, detectando sinais precoces de autismo e sinais neurodivergentes em crianças pequenas acompanhando os marcos do desenvolvimento, com o intuito de encaminhar para diagnóstico precoce o público dessa faixa etária, reduzindo a longo prazo, os custos com saúde pública e com suporte em educação especializada, prevenir prejuízos no desenvolvimento global com perdas neuronais por diagnósticos tardios”, enfatiza Raquel.
O projeto recebeu apoio e incentivo da administração pública, que designou Raquel e a educadora especial, também professora da rede municipal Márcia Almansa da Silva, para executar a proposta que foi batizada como Programa Laços: Leitura Atenta do Crescimento com o Olhar Compartilhado.
Em 2025, 22 educadoras das turmas de 3 a 4 anos das 10 ECEIs do município participaram da formação. Complementando a formação, foram realizadas palestras para as famílias dos educandos beneficiados neste programa, impactando diretamente em torno de 250 crianças na primeira infância.
Em 2026 o programa retornou em março com a proposta de atingir 100% das ECEIs, formando aproximadamente 85 profissionais que atendem diretamente 900 crianças nas unidades escolares espalhadas pelo município. “O trabalho com os educadores é desenvolvido em cinco módulos, com encontros quinzenais à noite, onde são abordados temas que dão conta desde o desenvolvimento infantil, passando por marcos do desenvolvimento, conhecimento dos transtornos do neurodesenvolvimento (TEA TDAH, dislexia, Deficiência Intelectual…) sob o olhar da neurociência aplicada a protocolos de acompanhamento”, destaca Márcia.
Segundo elas, o sucesso do programa levou a administração pública a estender o Laços para os monitores escolares, profissionais de extrema relevância numa educação inclusiva. “Com isso, tivemos o engajamento superior a 50% dos monitores da rede pública. O foco para este público são as neurodivergências, gerenciamento de crises, ferramentas pedagógicas, adaptações, protocolos de registros e acompanhamento dos educandos que estão sob seu atendimento”, afirma a neuropsicopedagoga.
Raquel e Márcia destacam que como o autismo não é uma doença, e sim um transtorno do neurodesenvolvimento, quanto antes detectado e realizadas as terapias necessárias, mais qualidade de vida será proporcionada a esta criança e maior autonomia e independência essa pessoa terá na vida adulta. “E o professor é o primeiro profissional com o qual a criança tem contato depois da família e, como ele trabalha com grupos de crianças que se encontram na mesma etapa do desenvolvimento é capaz de perceber sinais de alerta e avisar a família para que procurem com especialistas da saúde, as orientações e investigações necessárias para o pleno desenvolvimento da sua criança”.
Através do professor, o Programa Laços pretende contribuir no desenvolvimento das crianças típicas e atípicas, além de capacitar os monitores escolares quanto ao suporte educacional oferecido nas escolas da rede municipal de ensino de Arroio do Meio.
Outro projeto da Associação PROTEA, elaborado pela educadora especial Márcia Almansa da Silva e da professora e contadora de histórias Lusiane Mallmann, deve ser apresentado à comunidade arroio-meense ainda este ano. O Projeto Trilhas da Empatia vem para falar de neurodiversidade para o público infantil através de oficinas de contação de histórias itinerantes nas escolas do município.



