Bergamota, pinhão, fogão à lenha, roupa pesada, frio e cerração. Os termos são suficientes para o prezado leitor pensar:
– Puxa vida! Já não chega eu ter que levantar cedo, quase no escuro, e ainda vem este cronista, em plena sexta-feira, na entrada do “findi” pra lembrar da friagem desta semana?!?
Desculpem, prezados leitores, se a primeira frase destas mal traçadas linhas despertou tamanha indignação. E sabem por que? Porque eu também fico indignado com estas loucuras de usar camiseta no sábado e moletom no domingo. Como aconteceu na semana passada.
Durante muitos anos curti o inverno. Gostava de tomar chimarrão “pra esquentar as palavras”, vislumbrar a geada cobrindo carros e vegetação e degustar as calorias abundantes para esquentar o esqueleto. Mas bastou envelhecer para declarar guerra ao período entre junho e setembro. Este ano, a friaca se estende de 21 de junho a 22 de setembro.
Como todo descendente de alemães – disciplinado, organizado e teimoso –tomei a vacina tetravalente da gripe na farmácia. Considero justo que as imunizações gratuitas nas unidades de saúde sejam reservadas à população carente.
A “carcaça” deste velho jornalista prefere clima
ameno para uma praia e uma cerveja bem gelada
Apesar dos cuidados, há 15 dias uma tosse medonha me acompanha. Os períodos críticos são na hora de dormir e ao despertar. Meus vizinhos devem me detestar. Mas como são pessoas educadas são gentis ao cruzar por mim no elevador.
Na volta de Arroio do Meio, sábado, comprei à beira da BR-386 as primeiras bergamotas, resultado do esquecimento em fazer a aquisição na terra natal, onde certamente a fruta cítrica é abundante. Degustar “uma cheirosa” – como diz um amigo – remete à infância, ao potreiro ao lado da minha casa, no bairro Bela Vista, ao pé da fábrica da Kirst & Cia. Ltda, hoje Fruki Bebidas.
Havia tanta bergamota e laranja de umbigo que costumávamos tratar os bois e vacas, que circulavam entre nós, com generosas doses cítricas. Quando contei isso aos meus filhos, eles me olharam atordoado:
Mas pai… os bichos não avançavam em vocês?
Mesmo! Vivíamos cercados de animais, como cavalos, gatos, cachorros, papagaios e caturritas, além de todo tipo de passarinhos, e até mesmo um lagarto de estimação circulava entre montes de lenha nos fundos de casa.
Apesar das doces lembranças, a “carcaça” deste velho jornalista ainda prefere o clima ameno para curtir uma praia. Com churras e cerveja gelada.

