
Os recentes debates sobre a redução da jornada semanal de trabalho tem colocado na roda várias questões. Uma delas é a demonstração de que a tendência mundial vai mesmo pelo caminho da diminuição da carga horária. Outra, é a constatação de que os países mais ricos são os que trabalham menos.
Sim, em geral, os países mais ricos têm a jornada de trabalho menor e os países mais pobres trabalham maior quantidade de horas. Também se constata que, não obstante, a jornada estendida, isso não tira os países da pobreza. Alemanha e Dinamarca, por exemplo, têm jornadas médias de 35 ou 36 horas semanais. Em situação oposta se encontra o México que trabalha 48 horas e tem dificuldades maiores.
O que em geral não se comenta é que os países ricos trabalham menos, mas produzem mais. Ou seja, o trabalho deles rende um resultado superior. Eles alcançam o que se chama de melhor produtividade.
Não se pode concluir, contudo, que a produtividade é consequência direta da carga de trabalho reduzida. Não é pelo fato de trabalhar menos horas que os alemães produzem mais. Eles produzem mais porque estão melhor preparados, mais bem treinados, utilizam equipamentos e métodos mais adequados, etc.
Em outras palavras, os países mais ricos são aqueles que têm a mão de obra mais qualificada e compensam o menor número de horas trabalhadas com a vantagem que a educação e o treinamento constante lhes dá. É por isso que o trabalho deles gera mais resultado.
Estou falando disso para realçar a importância da educação, coisa em que o Brasil custa acreditar. Até hoje nunca levamos a educação a sério no duro, para além dos palanques de campanha…
Neste cenário se destaca o caso da diarista (ou faxineira) Gabi Valente. Ela está fazendo história no bairro Restinga em Porto Alegre. Deixou o emprego de carteira assinada que tinha, para iniciar uma escola voltada a ensinar faxineiros/as. Ali as candidatas aprendem tudo. Por exemplo: aprendem a trocar o calçado ao entrar na casa onde vão trabalhar. Aprendem a conhecer as características dos produtos de limpeza que utilizam. Aprendem as melhores técnicas de trabalho em cada setor de uma casa. E, por consequência do conhecimento que têm, aprendem a se fazer respeitar. O fato é que o trabalho mais qualificado vale mais e por isso se torna possível cobrar mais.
A iniciativa de Gabi Valente é excelente. Todos sabemos que frequentemente nossos trabalhadores estão despreparados e que entregam um serviço que deixa a desejar.
No site de Gabi Valente – que eu convido o leitor a conhecer – o ex-jogador Tinga dá seu depoimento. Ele também é natural da Restinga e também é filho de faxineira. Tinga dá todo o seu incentivo a que as pessoas aprimorem seu conhecimento.
O resultado do que se faz na escola de faxineiros é bom para todos: para quem contrata, para quem trabalha e tem sido igualmente bom para Gabi Valente que vem ganhando o reconhecimento da comunidade junto com o sucesso da sua empresa.

