Um terço de todo Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é constituído de impostos. O PIB é a soma – em valores monetários – de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região – país, estado ou município – durante um período determinado (mês, trimestre, ano, etc.). Trata-se também de um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia para medir a atividade econômica de uma região.
Não é necessário lançar mão de todo este juridiquês para saber o peso dos impostos em nosso bolso. Lamentavelmente as notícias que revelam recordes cada vez mais frequentes de arrecadação por parte da União não têm repercussão alguma junto à população.
Ao contrário da corrupção, que vez por outra consegue irritar a opinião pública, a fúria tributária que se reflete diretamente na fixação dos preços de todos os produtos ou serviços passa ao largo dos protestos. Infelizmente o projeto que prevê a especificação na etiqueta das mercadorias da formação do preço final, incluindo-se aí quanto de imposto se paga no valor total, não prosperou.
Apesar dos recordes de arrecadação os serviços públicos prestados ao contribuinte são sofríveis em diversas áreas. No domingo viajei a Carazinho, Panambi e Não-Me-Toque para participar de eventos ligados à 14ª Expodireto Cotrijal, uma das mais importantes feiras do agronegócio do país. Fiquei estarrecido com o estado de alguns trechos de rodovias estaduais: Passei a imaginar o que vai acontecer com as estradas a partir da desativação das praças de pedágio
Os impostos são dignos da Suíça, mas os serviços oferecidos são de terceiro mundo
Em alguns pontos do Estado as tarifas cobradas nas cancelas são abusivas. Sempre fui contrário à cobrança de pedágio. Afinal, já pagamos inúmeras taxas, impostos e contribuições que tem embutida, em sua formação, a destinação de uma parcela para a manutenção de rodovias. Infelizmente a teoria não se confirma na prática. Milhares de quilômetros de asfalto apresentam imperfeições motivadas pelo desleixo na manutenção, melhoria e reparação. O frete encarece os produtos, os motoristas sofrem e o abandono, somado à imprudência, produz estatísticas funestas a cada final de semana.
A exploração do contribuinte através da cobrança de impostos escorchantes encontra solo fértil na falta de interesse da maioria dos eleitores que simplesmente lavam as mãos ignorando sua obrigação como cidadão. Isso exige critério na hora do voto, acompanhamento da trajetória do parlamentar e das autoridades e uso de ferramentas para protestar. Um simples e-mail, às vezes, tem o condão de despertar a consciência de muitas pessoas.
Enquanto isso é utopia, a União ostenta números dignos da Suíça, oferecendo em troca serviços de terceiro mundo sem dor na consciência.

