
Sair da terra natal para desbravar lugares desconhecidos requer muita coragem, persistência e autoconfiança. Pertenço à geração que acalentava o sonho que consistia no trinômio 1) fazer faculdade 2) arrumar um emprego e 3) formar família.
Devido às circunstâncias, concretizar estes planos impunha sair de Arroio do Meio – fenômeno que ocorria na maioria dos municípios do interior – e seguir para Porto Alegre ou outro centro maior. Decidi sair de casa antes dos 18 anos. E jamais me arrependi.
Os detalhes desta trajetória voltaram à memória ao deparar a reportagem “De Rondônia para o Sul: o coração rondoniense que bate no ritmo gaúcho” publicada no nosso “O Alto Taquari”. O texto conta a trajetória de Alice Barros da Silva, de 28 anos, que nasceu em Porto Velho, Rondônia, e hoje reside no bairro Rui Barbosa.
A história dela é semelhante a de milhares de brasileiros que aportam no Rio Grande do Sul todos os dias em busca de trabalho e da realização de sonhos que na sua terra natal são difíceis de concretizar.
Costumo conversar quando noto um sotaque no diálogo com as pessoas. No Uber, no caixa do supermercado, nas lojas no cotidiano, faço uma bateria de perguntas e fico encantado com o desprendimento destes brasileiros resolutos.
Na loja Regla, em Arroio do Meio, havia uma atendente que, se não me engano, era natural de Manaus. Ela confessou que sofria com o frio, mas gostava da cidade. No mês passado, quando fiz a vacina da gripe, fui atendido por uma balconista da farmácia Raia, em Porto Alegre, que contou ser de Maceió.
Estas histórias são uma inspiração de vida para os
momentos em que o desânimo toma conta da gente
– Lá é muito bonito, sim. Tem praias maravilhosas, mas vim pra cá porque aqui eu tinha emprego garantido. Quero crescer no meu trabalho e realizar os meus sonhos – contou.
Jurou que está preparada para enfrentar o primeiro inverno gaudério.
– Já tentaram me apavorar de todo jeito, mas não sou de desanimar. Pra minha surpresa, notei que o verão do Rio Grande do Sul é muito quente, parece a minha terra! Esta, sim, foi uma grande surpresa! – confessou.
Voltando à personagem da reportagem do A.T. ela conta que conseguiu seduzir a irmã, Amanda, de 23 anos, que a visitou, gostou da cidade, arranjou um namorado e agora reside em Teutônia. Agora, a tarefa é convencer a mãe, que mora em Caxias do Sul e que deu origem à saga desta família rondoniense, a tornar-se arroio-meense.
Nem a enchente que desempregou temporariamente a funcionária da farmácia afugentou esta brasileira de fibra, garra e determinação. É uma lição de vida, uma inspiração para os momentos em que o desânimo toma conta da gente.

