
Entre 1912 e 1916, uma disputa por terras envolveu catarinenses e paranaenses
A Guerra do Contestado ocorreu no período entre 1912 e 1916, envolvendo paranaenses e catarinenses pela disputa de limites entre os dois Estados, a construção da estrada de ferro São Paulo – Rio Grande pela multinacional Brazil Railway e a instalação de uma das maiores madeireiras da América, a Soutien Brazil Lumber & Colonization Company Inc.
Este conjunto de fatores converteu para uma mesma direção: a expulsão dos camponeses que eram habitantes nativos da região, a ocupação de suas áreas de terras e a exploração das ricas reservas de pinheiro araucária.
De acordo com historiadores, em 22 de outubro, na cidade de Irani em Santa Catarina, tropas paranaenses comandadas pelo Coronel João Gualberto travaram um violento combate com um grupo de sertanejos sem-terra, liderados pelo Monge José Maria, que pregava a volta da Monarquia e a construção de uma sociedade igualitária. O conflito se alastrou por dezenas de cidades catarinenses, durando quatro anos e resultando na morte de cerca de 20 mil pessoas.
A Guerra do Contestado mobilizou dois terços do Exército Brasileiro e pela primeira vez na América Latina utilizaram-se aviões com fins militares, bombas de fragmentação e aprimoradas técnicas de guerrilha. Os camponeses, embora conhecedores do Sertão catarinense e movidos pela fé mística, resistiram, porém, foram derrotados.
Toda a história está documentada e ilustrada no Museu do Contestado, na cidade de Irani, no meio oeste catarinense, onde pode ser visitado diariamente entre 8h e 17h. O funcionário municipal, Miguel Alves da Rosa, é o responsável pelo guiamento.
Nas proximidades estão o Cemitério do Contestado, Vala dos 21, Sepultura do Monge José Maria, Local do Combate e o Anfiteatro. Estes espaços podem ser acessados pelos visitantes.





