
Na sinuca de escolher presentes no último Natal, busquei a salvação em sugestões de sites na internet. Quis saber quais seriam os favoritos. Especialmente, para presentear meninas adolescentes – o caso das minhas netas. Levei mais tempo furungando em sites americanos, já que é dos Estados Unidos que nos chegam as principais tendências de gosto e de comportamento.
Comparei as sugestões para as gurias e as sugestões para os rapazes.
A pesquisa me deixou cismada.
Sucede que a maioria das sugestões de presentes para as gurias são itens de vestuário e de maquiagem – especialmente, de produtos para cabelo e pele.
A maioria dos presentes para os rapazes são jogos e artigos esportivos. Não vi nenhum kit de skin care ser recomendado para eles.
Os presentes dados às meninas encorajam a que sejam principalmente belas. Até mais do que ativas e curiosas.
Se os itens presenteados falam alguma coisa, devem estar mostrando uma aposta desparelha. São diferentes os interesses que se quer ver prosperar entre os guris e as gurias.
Outra cena…
Observo mães jovens e suas filhas pequenas em situação de festa.
Não é preciso olhar muito para ver que um tempo considerável foi investido em combinar a sandália com o enfeite que a menina leva no cabelo. A guria vem num vestidinho caprichado, em geral enfeitadinho, desses que são lindos, mas dificultam brincar com liberdade. Vêm assim vestidas, mesmo quando se sabe que haverá espaço para correria, para andar de bicicleta.
Com os meninos é diferente. Eles vão à festa preparados para se movimentar. O look deles não precisa ser admirado. A preocupação é que seja confortável. Quem os ajudou a se vestir sabe que vão tirar o calçado dali a pouco. Se ficarem com calor, não farão cerimônia em tirar também a camiseta. No cabelo não têm nenhum enfeite que devem cuidar de não perder. Não usarão pulseira e anelzinho. Os guris estarão aptos a subir, saltar, correr, inventar, enfrentar.
O traje dos meninos encoraja a que se integrem no grupo de brincadeira, que tenham iniciativa e desenvoltura.
As gurias ficam dispensadas de treinar competências de convívio mais ativo, de arriscar-se, de brigar ou de correr da briga – de acordo com a necessidade. Se elas não sujarem o vestido e não perderem o enfeite do cabelo, já estará de bom tamanho.

