
Viver em uma cidade de clima quente e úmido é experimentar o tempo com todos os sentidos. Sim, eu moro em Porto Alegre! O calor chega cedo, ainda pela manhã, envolvendo as ruas em um ar denso que parece desacelerar os passos e alongar as horas. Depois do café, correr para o trabalho e rezar pelo ônibus bem refrigerado ou o ar-condicionado do carro funcionando sem problemas de filtros. Sim, sou do tempo que a refrigeração dos carros era apenas ventilador e sopros quentes. Ar gelado só pagando por fora, em empresas especializadas.
Por enquanto, bem pertinho de março, o sol é presença constante, refletindo nos telhados, nas janelas e na pele. Mesmo quando escondido atrás de nuvens, faz o suor surgir quase sem esforço. Nós, cidadãos, nos adaptamos, usamos roupas leves, buscamos sombras, ventiladores e conversas demoradas no fim da tarde onde a cerveja gelada é uma parceira quase diária. Ah! Os sucos, águas com ou sem gás. As chuvas costumam ser intensas e rápidas. Antes refrescavam o ambiente por alguns instantes, deixando no ar, o cheiro de terra molhada. Hoje provocam deslizamentos e outros acidentes graves.
Nesse cenário, aprender a viver bem é aprender a respeitar o ritmo do clima e não contribuir para o tal aquecimento global que, muitas vezes, parece iniciar aqui, defronte ao Guaíba ou nas águas que banham o Vale do Taquari. Somos humanos e erramos muito na questão ambiental, mas também buscamos soluções e não faltam exemplos de gente a fazer o melhor pelo futuro do planeta. Por enquanto, só peço por dias menos úmidos e abafados. E que possamos ter um sol de lazer intercalado por brisas refrescantes. Sim, eu sou meio delirante. Mas com certeza, a culpa é desse clima quente.

