
Na minha adolescência os partidos políticos eram ideológicos e em pequeno número. Os principais partidos dessa época eram o PTB, o PSD e a UDN.
O PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) era associado à classe trabalhadora, onde destacou-se o ideólogo Alberto Pasqualini e o “bigovernador” Leonel Brizola (RS e GB), enquanto o PSD (Partido Social Democrático) era composto pela classe média alta e representantes dos setores empresariais. A UDN (União Democrática Nacional), por sua vez, representava os grupos mais à direita, com forte oposição aos avanços liberais de esquerda.
No Rio Grande do Sul ainda tínhamos forte o PL (Partido Libertador), que defendia o regime parlamentarista, com Paulo Brossard e Raul Pilla.
Também havia o PRP (Partido de Representação Popular) capitaneado por Plinio Salgado, da ação integralista brasileira, com suas camisas verdes, que apropriou-se do cumprimento “anauê”, de origem indígena, que significa “tu és meu irmão”, à semelhança do “Heil Hitler”.
Enquanto o Partido Comunista era ilegal, surgiram outros pequenos partidos como o PTN (Partido Trabalhista Nacional) e o PDC (Partido Democrático Cristão), de Franco Montoro, partidos por onde transitou Jânio Quadros, antes de ir para a UDN. Também surgiram o MTR (Movimento Trabalhista Renovador), fundado por Fernando Ferrari, e o PSP (Partido Social Progressista) de Adhemar de Barros.
Com o Movimento de 1964 todos os partidos foram extintos e criados a ARENA (Aliança Renovadora Nacional), onde se acomodaram todos os adeptos do novo regime e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) que abrigou os dissidentes.
Sendo impossível acomodar tantas correntes dentro da mesma aliança, a inventividade política brasileira criou as sublegendas, nos lugares onde a escolha se dava por voto popular. Também surgiram novos partidos (PT, de Lula, PTB, de Ivete Vargas, e PDT, de Leonel Brizola).
Quando presidi a eleição em Rio Pardo em 1982 foi a soma das sublegendas que derrotou o candidato da oposição, numa eleição de voto vinculado, em que o eleitor deveria votar em todos os candidatos do mesmo partido, sob pena de nulidade do voto.
Eu já assistira situação semelhante em Candelária onde a dupla de novatos, derrotou por poucos votos, conceituado trio da oposição, que escolheram um vice comum. Muitos suspeitaram de uma súbita alteração no entusiasmo dos eleitores na reta final da campanha, quando constataram que o outro candidato da sublegenda disparava na frente.
Em outra eleição fiquei surpreso quando vi quem era o candidato a vice-prefeito de uma sublegenda, pessoa retraída, pouco conhecida e que nunca se metera em política. Matutei muito tempo até me flagrar que ele era genro de um forte cabo eleitoral de um lugar do interior, onde a oposição fazia noventa por cento dos votos. Candidatando o genro, manietaram o sogro e tiraram pelo menos trinta votos da oposição, ganhando no final por vinte e poucos votos.
No Brasil atual, os partidos viraram uma sopa de letrinhas, com donos e sem qualquer significado ideológico. As uniões são por mero interesse e, acredito, que muitos partidos só estão interessados na verba eleitoral e nos minutos de propaganda eleitoral gratuita na televisão, que podem negociar com os partidos majoritários por cargos políticos e direção de estatais.
Nesse contexto e com tantas inelegibilidades proclamadas de forma pouco ortodoxa, a costura de interesses e de legendas será decisiva para o resultado da eleição presidencial.
Há um fator complicador que são as eleições estaduais. Partidos que estão unidos no âmbito nacional surgem como adversários ferrenhos em algum Estado. Sempre fui contra essa coincidência de eleições pois as picuinhas regionais não deveriam afetar a eleição nacional, onde os objetivos nacionais permanentes devem ser o mote de campanha.
Sem nenhuma dúvida, quem melhor souber acomodar todos esses interesses, e conseguir superar as desavenças regionais, unindo forças divergentes num objetivo comum maior, terá mais chance de vitória.
Como diz o gaúcho, “carreira se ganha no atar”.

