
Ficou famosa uma comparação que Steve Jobs – o criador do Iphone – gostava de fazer. Ele lembrava que se Henry Ford tivesse consultado seus clientes, antes de lançar o primeiro automóvel popular da história, os clientes teriam falado que precisavam de cavalos mais rápidos. Não teriam falado em carros, porque não imaginavam o que um veículo poderia oferecer. Jobs, da mesma forma, jamais teria apresentado produtos revolucionários. Já seria muito bom se criasse um celular com mais funções e mais velocidade do que os existentes na época.
Eu me junto ao grupo que demora para aceitar novidades. Quando se começou a falar na construção do Cristo Protetor em Encantado, por exemplo, fui muito cética. Nem de longe poderia imaginar a repercussão positiva que o monumento traria para a região como um todo.
Estou falando de Henry Ford, de Steve Jobs, do Cristo Protetor, para sugerir que se pense um pouco mais, antes de torcer o nariz para a ideia de uma boa reforma da Casa de Cultura, no município de Lajeado. Talvez a gente não esteja conseguindo imaginar o que uma Casa de Cultura melhor aparelhada e mais dinâmica possa fazer.
Aqui fica uma pergunta: por que uma Casa de Cultura de primeira linha não poderia ser a joia da coroa para um município? Por que temos de nos contentar com um cavalo mais rápido, como se pensava antes do Ford–T?
O fato é que até já estamos chegando tarde à era das modernas Casas de Cultura. Há lugares em que centros culturais atraem todas as atenções. Até justificam uma visita à cidade. Lembremos do Centro de Cultura e Belas Artes no município de Horizontina. Igualmente, do Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais, e do Museu de Arte Moderna na cidade de São Paulo.
Outra coisa, por que precisamos aceitar que a vida cultural da cidade fique colocada como a última das demanda?
Um centro cultural aparelhado e dinâmico é um investimento na vida das pessoas, assim como são as pontes e as estradas. Não se diz sempre que investir nas pessoas é o mais fecundo dos investimentos?
– Pois é!
Mas, claro, há um ponto em que temos de concordar com aqueles que ficam com um pé atrás. Uma casa de cultura tem chance de ser um elefante branco e não passar de um cabide de empregos. Vi isto mesmo acontecer em Santiago do Chile, onde o belo conjunto do Centro Cultural Gabriela Mistral está entregue às moscas e a alguns funcionários ansiosos, principalmente, pelo fim do expediente…
Uma Casa de Cultura pode se inspirar nos melhores exemplos do mundo. Pode contar – quem sabe – com uma Associação de Amigos para ajudar a minimizar seus custos operacionais. E deve, sim, deve, contar com a vigilância da população para orientar ações e exigir serviços e produtividade.
O que não se pode é deixar que o que ainda não temos venha a destruir aquilo que podemos vir a ter.

