
Recebemos esta semana a visita de familiares de San Cristóbal, distrito (nome dado ao que aqui chamamos de município) do Paraguai, que fica cerca de 130 Km da cidade Del Este. Fundado em 30 de novembro de 1984, o “município” tem cerca de 12 mil habitantes, com base econômica focada na plantação de soja, milho, trigo, canola… A fundação remonta à metade do século XX, a partir da qual dezenas de imigrantes vindos especialmente da região Sul do Brasil, se situaram em terras paraguaias. A partir dessa época a população aumentou e o desenvolvimento foi fomentado principalmente pela criação da Cooperativa de Producción Agropecuária Pindo Ltda, fundada em 1981, para apoiar incialmente agricultores próximos a Itaipu. Atualmente, é uma das maiores cooperativas do Paraguai, sendo um pilar para o desenvolvimento regional com foco no agronegócio especialmente na produção de soja e milho.

INDUSTRIALIZAÇÃO – Recentemente, o país vizinho está num intenso processo de industrialização, beneficiado pela Lei de Maquila, regulamentada nos anos 2000, que tem atraído muitas empresas brasileiras no setor de autopeças, eletroeletrônicos, plásticos, têxteis. Os benefícios permitem que as empresas importem máquinas e matéria-prima com isenção total de impostos, exigindo apenas 1% de tributo único sobre as exportações. Energia barata e custos trabalhistas menores, menos burocráticos, também fazem parte do processo de migração de muitas empresas brasileiras ao Paraguai, que assim conseguem ter maior competitividade. O chamado “Custo Brasil” chega a consumir 50% dos ganhos de uma empresa aqui, ao passo que no Paraguai, um sistema mais simplificado é visto como oportunidade de crescimento. Dentro do bloco econômico do Mercosul, o Paraguai é visto como oportunidade estratégica. Muitos economistas e analistas brasileiros veem o modelo de fomento de negócios no Paraguai como incômodo, provocando a necessidade de mudança de paradigma na composição tributária, fiscal, trabalhista brasileira que estrangula e engessa o crescimento.
Dívida do RS/Propag
Um dos assuntos que deverá estar na pauta para a disputa ao Piratini, nas eleições de outubro, deverá ser a dívida do RS com a União, o que engessa investimentos. Um dos alívios para o crescimento da dívida pública é que, no final do ano passado, o governo do RS, depois de aprovado pela AL-RS, encaminhou pedido de adesão ao Propag, um novo modelo de refinanciamento da dívida do estado que está hoje na ordem de R$ 106 bilhões. Este modelo aprovado pelo Congresso e regulamentado pela União oferece contrapartidas aos estados. O vice-governador Gabriel Souza disse na ocasião que o modelo é mais vantajoso do que o Regime de Recuperação Fiscal, porque os juros são mais baixos.
Como estará o RS em 2035
A Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul reuniu na semana passada sete entidades entre as quais CDL (POA), Federação das Associações Gaúchas do Varejo, Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do RS, Associação Gaúcha dos Supermercados, Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Rio Grande do Sul, Sindicato dos Lojistas do Comércio (Sindilojas) e a Federação Varejista do RS, para o lançamento do Manifesto Empreendedor 2026 com o movimento ‘O Povo Pelo Povo – Todos Juntos Vencendo os Desafios do RS’. O documento tem 91 páginas e lança perspectivas sobre como estará o Rio Grande do Sul em 2035, pautado sobre a situação econômica do estado depois das enchentes. Temas como segurança alimentar, segurança jurídica, risco à renda, infraestrutura e macroeconomia permeiam o debate imposto pelas entidades.
A estratégia visa transformar o Estado em um centro de atração de investimentos, focado na resiliência econômica, modernização da infraestrutura e expansão em setores-chave como agronegócio, energia e tecnologia.
Abafa… Abafa…
Muita gente trabalhando e articulando para abafar o escândalo do Master, que é considerado o maior escândalo financeiro da história do Brasil que atinge membros da Suprema Corte, empresários e políticos de alto escalão. Fosse em um país sério, os mencionados já teriam pedido demissão ou teriam feito coisa pior pela vergonha. Mas aqui, em ano de eleição – e não só por isto -, deputados, senadores e juristas articulam para que respingue o mínimo possível nos envolvidos. Por ironia, melhor focar nos inocentes ou investir em narrativas.

