
Quando alguém aborda a questão da leitura, o mais provável é ouvir dizer que, nesta correria atual, não há tempo ou que não é possível encontrar tempo para a ler um livro.
Curioso é que, em geral, as pessoas têm mais tempo livre atualmente do que jamais tiveram. É só pensar em quanto as máquinas aliviaram o trabalho doméstico ou quanto mais rápido ficou para se realizar os rotineiros pagamentos de boletos.
Então, tempo livre existe. O caso é verificar como o tempo livre de cada um é empregado.
Sucede que o tempo livre pode estar dividido em fragmentos curtos e isso produz a impressão de que ele não existe. Não existindo, claro que não há espaço para ler. De outra parte, podemos nos enganar pensando que pequenas leituras não contam como leitura. Seja como for, pode ser útil priorizar as atividades para o tempo disponível e demarcar um horário para ler. Por exemplo, uma ideia é dedicar à leitura meia hora à noite, antes de dormir.
Há muitas ideias equivocadas sobre leitura.
Alguém pode pensar que precisa escolher livros massudos e sérios e que deve ficar horas às voltas com ele, para se considerar um leitor. Não é assim.
Outro fato que, talvez, alguns desconheçam é que ler é um grande prazer (em boa parte por causa da escola que, no passado, lidou muito com o conceito de leitura como obrigação, tal como decorar a tabuada…) Ler é um prazer inesgotável, que se estende para todas as fases da vida e para todas as circunstâncias. É possível ler em situações de doença. É possível ler em viagem. É possível ler em salas de espera, etc.
É útil vencer algumas ideias que podem estar trabalhando contra a leitura. Provávelmente, a mais saliente delas é essa mesmo: que ler é uma atividade enfadonha. Cabe descobrir material adequado ao gosto do leitor. Não é preciso ler contra a vontade. Os temas são infindáveis e certamente há opção para todos. Além disso, há variedade de textos pequenos que podem encorajar mais aqueles que andam distantes das prateleiras. E os audiolivros também podem ser uma opção atraente.
Nem é preciso dizer que um ambiente com abundância de livros funciona a favor. Quando é fácil escolher, quando os livros se encontram ao alcance da mão, a leitura fica mais normal. Com este dado podem contar as escolas e todos os grupos interessados em aumentar o número de leitores.
Para além da questão individual, existe a dimensão social.
Como se sabe, a longo prazo, a ampliação do costume de ler favorece a inclusão social, a participação de indivíduos e de grupos na vida da comunidade.
Aí está uma razão a mais para que instituições públicas se unam em torno de projetos colaborativos de promoção da leitura. O futuro há de agradecer.

