
Buscar inspiração em exemplos de superação faz bem à alma. Com mais de seis décadas, aprendi a buscar nas pessoas bem-sucedidas energia para continuar ativo. “Experiências bem-sucedidas” não significa ter ficado rico ou famoso. Significa ter superado dificuldades, obstáculos e até preconceitos para seguir adiante.
Este parágrafo é preâmbulo do meu sentimento ao ler a reportagem do nosso O Alto Taquari (22/2), sob o título “Corredor arroio-meense se prepara para primeira ultramaratona de 50 km em Farroupilha”, tendo como personagem o nosso conterrâneo José Henrique de Jesus.
Jesus foi meu colega de aula, parceiro de futebol no Mini Craques e se tornou um bem-sucedido corretor de seguros. Sempre admirei o amigo pela simplicidade, alto astral e seriedade. Para quem o conhece, vê-lo vitorioso como atleta não surpreende.
Antes de ser corredor, Jesus praticou futebol e basquete, sempre com sucesso. Milagre? Não. Mistura de talento e determinação, força e insistência. Li atentamente a reportagem e alguns detalhes se destacam.
Antes do desafio de 14 de março, em Farroupilha, na “Ultramaratona Caminhos do Caravaggio”, o arroio-meense conta que, além da disposição pelo desafio, tem apoio familiar. A esposa, Keiti, também é corredora, além do incentivo dos filhos.
Praticar exercícios físicos faz bem
ao corpo, à alma e também ao coração
Mas nem tudo são flores. O esforço de tornar-se atleta de alta performance enfrenta momentos de indignação, diante dos preconceitos em razão da idade. Ele conta que ouve piadas de etarismo – preconceito para desvalorizar e ridicularizar as pessoas idosas.
Infelizmente é um fenômeno moderno que se repete em diversos ambientes. Jesus, no entanto, tira de letra. Diz que isso reflete desconhecimento sobre os limites e a capacidade do corpo humano. Muito bem dito!
A bela história do amigo inspira que é possível superar obstáculos e preconceitos, não importa a idade. Há alguns anos adotei os exercícios físicos ao menos duas vezes por semana, ao ar livre, orientado por um personal trainer e na companhia da minha filha.
Além dos benefícios ao corpo, volto bem-humorado das aulas, graças à parceria de duas pessoas que me estimulam, desafiam e reconhecem o meu esforço. Às vezes não é fácil. Exige persistência, mas minha filha provoca meus brios. “Tu não vai desistir agora, não é, pai?”, repete quando me sinto cansado.
Persistir, palavra-chave para conquistar. Parabéns, José Henrique de Jesus!

